domingo, 30 de março de 2008

Olimpíadas de Pequim


O padre Antonio Maria adora uma celebridade

Não existe coisa mais hipócrita que religião. O trânsito que mantém (e sempre manteve) com os poderosos é de tocar o coração. Impérios foram justificados e sustentados por ela.

No caso da igreja católica, que nos ameaça todo dia com o fogo do inferno por sermos meros pecadores, ao mesmo tempo que afirma que nossa natureza pecadora é irremediável, o que torna "largo o caminho da perdição e estreito o caminho da salvação", sua hipocrisia e conúbio com o poder é gritante. Até hoje se queixa do estado laico e se apoia a democracia é como o lobo enjaulado admirando os cordeiros. À primeira oportunidade engole a liberdade e impõe sua teocracia.

E o padre Antonio Maria, hein? Anda sempre muito bem acompanhado: são adúlteros, promíscuos, fornicadores, agiotas, todos que a igreja condena no mais profundo fogo do inferno, mas o nosso padre está lá, sempre perto deles, celebrando missas, abençoando. Quando lhe assisti no casamento da Carla Perez, que viveu em concubinato com o Alexandre Pires, grávida e de barriguinha saliente, com o Xande mal pude acreditar. Desde que seja poderoso a igreja faz pouco dos dogmas. E o Bentinho XVI quer ser conservador e restaurar os bons costumes, proibir a camisinha, o segundo casamento. Preocupado deve estar com a palavra de Deus. Mas Deus também não se decide, cada hora fala uma coisa. Não, não. São seus emissários que não entendem. O que me remete ao pensamento de que ou Deus não fala com clareza ou escolhe emissários que não sabem ouvir.

Bom, mas fiquemos com o Padre Antonio Maria. Acho-o um bom exemplo de hipocrisia. O padre das celebridades, onde há uma ele está lá abençoando mesmo quando estão carregadas de pecados enquanto a igreja vai cozinhando a carne do populacho no inferno brando da ignorância.

Fitna

O curta-metragem Fitna, do deputado holandês Geert Wilders, disponível aqui, mostra a visão pessoal do autor que vê o islã dominado pelo fanatismo e violência. É evidente que a posição de Geert pode ser considerado ofensiva aos muçulmanos, mas é inegável que ele tem o direito de expressá-la. Sem entrar no mérito da questão, se Geert não puder dizer o que pensa sobre o islã, caso este último corresponda ao que pensa o deputado, apenas porque ofende seus seguidores o islã estará livre para atuar de forma violenta e fanática. A liberdade de expressão é o que permite a correção dos valores conflitantes; força a mudança, o ajuste. Sem ela, os agentes se sentem livres para fazerem o que quiserem. Como toda criação humana está sujeita à deformação inerentemente humana das coisas. Não é o instrumento perfeito, é o instrumento melhor e possível.

O islã é contra a liberdade de expressão porque a sua natureza autoritária pode ser confrontada e combatida por ela. Invocar a ofensa não é um recurso lógico de dois que debatem, é o recurso hipócrita usado pelo lado que não quer o diálogo, ainda que a ofensa seja usada como meio ilegítimo. Ora, classificar qualquer crítica ao islã como ofensa é fechar as portas da argumentação, é colocar-se numa posição de vestal onde o diálogo só e possível conforme as regras que ele mesmo estabelece, o que no fundo é apenas um artifício, um estratagema que nada discute, apenas mantém o status quo.

Usando a liberdade de expressão os muçulmanos podem contra-atacar criando um vídeo onde os aspectos positivos do islã são ressaltados, inclusive em comparação aos valores ocidentais. Podem criticar o cristianismo mostrando que este é ainda mais violento. No entanto, não o fazem; usam o caminho da censura e da indignação. Só pode ser porque, sub-repticiamente, sabem que os seus valores estão condenados a morte se não forem impostos a ferro e fogo. O radicalismo e o fanatismo é um ato de desespero tentando salvar um moribundo. Por isso eles precisão de tudo, pois que se tornam nada.

sábado, 29 de março de 2008

O dossiê da Dilma e a barriga do brasileiro

Dizem, e não dizem mal, que o caso dos dossiês contra o FHC expõe o ridículo do governo Lula. Pode até ser, se o Lula tivesse esse sentimento normal que caracteriza a espécie humana, a vergonha. Mas como o Lula é um sem-vergonha descarado, bem como os seus asseclas, ele passará pelo episódio sem maiores constragimentos. E sabem do que mais? O povo o justificará, se já não o justifica. O povo brasileiro não sabe lá o que é princípios, a única coisa que importa é a barriga e a barriga tem andado cheia. O resultado da digestão, além da alimentação, é a excreção. É lógico que vai dar merda, que outra coisa poderíamos esperar?

Um tapinha não dói

Leio no noticiário que o compositor da música que dá título ao post, Rômulo Costa, foi multado em quinhentos mil reais por causa da dita canção. Para o judiciário a letra é ofensiva às mulheres. Os juízes vão mudar a face do brasil. Vão fiscalizar os abusos de expressão, mas quando o negócio é prender políticos e empresários corruptos o judiciário não vai fiscalizar nada, pois são todos compadres, não é mesmo?

Alvíssaras! Os juízes chegam na comissão de frente da escola de samba, cada qual com sua pizza e os bolsos furados de dinheiro e boas intenções. Dizem, e dizem bem, que o Lula e seu governo desmoralizam as intituições. Mas o judiciário não precisa do Lula para fazê-lo; fá-lo sozinho.

E, sinceramente, após essa sapientíssima decisão os níveis de violência contra a mulher despencarão. Os crentes acreditam na força da fé para mover as montanhas, o brasileiro na força do papel. Basta algo estar escrito para que se torne verdade incotestável. Nem a polícia, nem a cadeia para os espancadores far-se-ão necessárias, o papel resolveu tudo. Sabemos que a Terra gira em torno do Sol, mas se não apresentarmos um documento, de preferência com o brasão da república e a assinatura de alguma autoridade, o judiciário não acreditará.

Mas podem ficar tranquilos, em vista de tanta porrada cotidiana, um tapinha não dói. Mas, mulherada, esse tapinha doeu - empatamos.

sexta-feira, 21 de março de 2008

sábado, 8 de março de 2008

Banhos de sangue aos magotes

Eles nem fixavam os nomes, simplesmente fixavam cotas de mortes aos milhares. A 2 de Julho de 1937, o Politiburo ordenou que os secretários locais prendessem e fuzilassem "os elementos anti-soviéticos mais hostis" que deveriam ser sentenciados por troikas, tribunas de três homens que incluíam usualmente o secretário do partido, o procurador e o chefe da NKVD local.

O objetivo era "acabar de uma vez por todas" com todos os inimigos e com aqueles impossíveis de educar no socialismo, de modo a acelerar o desaparecimento das barreiras de classe e, portanto, a instauração do paraíso para as massas. Essa solução final era um massacre que fazia sentido em termos da fé e do idealismo do bolchevismo, que era uma religião baseada na destruição sistemática das classes. O princípio de ordenar o assassinato como cotas industriais do Plano Quinquenal era, portanto, natural. Os detalhes não importavam: se a destruição dos judeus por Hitler foi genocídio, então aquilo foi democídio, a luta de classes de transformando em canibalismo. A 30 de julho, Iejov e seu adjunto, Mikhail Frinovisk, propuseram a Ordem nº 00447 ao Politiburo: que, entre 5 e 15 de agosto, as regiões deveriam receber cotas para duas categorias: Categoria Um, fuzilamento: Categoria Dois, deportação. Eles sugeriram que 72 950 deveriam ser fuziladas e 249 450 presos, embora não incluíssem algumas regiões. As regiões deveriam apredentar mais listas. As famílias dessas pessoas deveriam ser deportadas também. O politiburo confirmou essa ordem no dia seguinte.

Não demorou para que esse "moedor de carne" adquirisse tal impulso que, conforme a caça às bruxas se aproximava de seu auge de ciúmes e as ambições locais se atiçavam, cada vez mais gente era jogada na máquina. As coras eram logo cumpridas pelas regiões, que pediram então números maiores: entre 28 de agosto e 15 de dezembro, o Politiburo concordou com o fuzilamento de outras 22 500 pessoas e, depois, com mais 48 mil. Nisso o Terror foi diferente dos crimes de Hitler, que destruíram sistematicamente um alvo limitado: judeus e ciganos. Na Rússia, ao contrário, a morte era, às vezes, aleatória: o comentário esquecido há muito tempo, o flerte com a oposição, a inveja do emprego, da mulher ou da casa de outro homem, vingança ou simplesmente pura coincidência causaram a morte e a tortura de famílias inteiras. Isso não importava: "Melhor ir çonge demais do que não ir o suficiente", disse Iejov a seus homens, enquanto a cota original de prisões da Ordem 00447 inflava de 767 397 prisões e 386 798 execuções.

Ao mesmo tempo, Iejov atacava "contingentes nacionais", ou seja, a execução por nacionalidade, contra poloneses e alemães que viviam na Rússia, entre outros. A 11 de agosto, ele assinou a Ordem nº 00485, para liquidar "diversionistas e grupos de espionagem poloneses", a qual consumiria a maior parte do Partido Comunista Polonês, a maioria dos poloneses no interior da liderança bolchevique, qualquer um que tivesse "contatos consulares" ou sociais e, é claro, suas esposas e filhos. Cerca de 350 mil pessoas (das quais 144 mil poloneses) foram presas nessa operação, com 247 157 fuzilados (110 mil poloneses) - minigenocídio. No total, pelas últimas estimativas, combinando as cotas e os contingentes nacionais, um milhão e meio foram presos nessas operações e cerca de 700 mil fuzilados.

Trecho de Stálin - A corte do czar vermelho, de Montefiore.

terça-feira, 4 de março de 2008

Citações

Gratidão é a virtude de um cachorro - Stálin

Uma revolução sem pelotão de fuzilamento não faz sentido - Lênin

Um inimigo do povo não é apenas alguém que faz sabotagem, mas alguém que duvida da correção da linha do partido. Há muitos deles e precisamos liquidá-los - Stálin

Colaboradores