O mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva. O mercado é um
processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o
regime da divisão do trabalho. As forças que determinam a – sempre variável – situação do
mercado são os julgamentos de valor dos indivíduos e suas ações baseadas nesses
julgamentos de valor. A situação do mercado num determinado momento é a estrutura de
preços; isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido pela interação daqueles que estão
desejosos de vender com aqueles que estão desejosos de comprar. Não há nada, em relação ao
mercado, que não seja humano, que seja místico. O processo de mercado resulta
exclusivamente das ações humanas. Todo fenômeno de mercado pode ser rastreado até as
escolhas específicas feitas pelos membros da sociedade de mercado.
O processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da
sociedade aos requisitos da cooperação mútua. Os preços de mercado informam aos
produtores o que produzir, como produzir e em que quantidade. O mercado é o ponto focal
para onde convergem e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.
(...)
A direção de todos os assuntos econômicos, na sociedade de mercado, é uma tarefa
dos empresários. Deles é o controle da produção. Estão no leme e pilotam o navio. Um
observador superficial pensaria que eles são os soberanos. Mas não são. São obrigados a
obedecer incondicionalmente às ordens do capitão. O capitão é o consumidor. Não são os
empresários, nem os agricultores, nem os capitalistas que determinam o que deve ser
produzido. São os consumidores. Se um empresário não obedece estritamente às ordens do
público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, sofre perdas, vai à
falência, e é assim removido de sua posição eminente no leme do navio. Um outro que melhor
satisfizer os desejos dos consumidores o substituirá.
Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo
menor preço. Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre
quem deve possuir e dirigir as fábricas e as fazendas. Enriquecem um homem pobre e
empobrecem um homem rico. Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que
deve ser produzido. São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e
imprevisíveis. Para eles, a única coisa que conta é sua própria safisfação. Não se sensibilizam
nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos. Se lhes for oferecido
algo que considerem melhor e que seja mais barato, abandonam os seus fornecedores
habituais. Na sua condição de compradores e consumidores, são frios e insensíveis, sem
consideração por outras pessoas.
(...)
A função empresarial, o empenho dos empresários por obter lucros, é a força motriz
da economia de mercado. Lucro e perda são os instrumentos por meio dos quais os
consumidores exercem sua supremacia no mercado. O comportamento dos consumidores
engendra os lucros e as perdas e, desta forma, transfere a propriedade dos meios de produção
das mãos dos menos eficientes para as mãos dos mais eficientes. Quanto melhor um homem
servir os consumidores, mais influente se tornará na direção das atividades econômicas. Se
não houvesse lucro e perda, os empresários não saberiam quais são as necessidades mais
urgentes dos consumidores. Mesmo que alguns empresários pudessem adivinhá-las, não
teriam os meios para ajustar corretamente a produção a elas.
Mises - Ação Humana
sábado, 31 de maio de 2008
O HOMEM RESIGNADO
30.05.2008
O HOMEM RESIGNADO
por Adriana Vandoni
O HOMEM RESIGNADO
por Adriana Vandoni
Acostumei-me com o conceito de que o brasileiro é um povo pacato, passivo. Acostumei-me a acreditar que a reação do brasileiro dependia de uma massiva provocação da mídia, caso contrário, se não fosse instigado a reagir, o brasileiro aceitaria qualquer coisa, qualquer desatino dos governos, afinal, ele é um desprovido de impetuosidade. Pensava assim, aliás, passivamente por anos acomodei-me com esta visão.
Mas chegou Lula e seu discurso tosco e grotesco arrebanhava multidões de fiéis como um beato qualquer que prega ser o novo Jesus Cristo. A explicação da passividade passou a não me satisfazer. Queria entender porque o brasileiro aceita um presidente que admite ter mentido, que zomba dos que querem ser honestos e dignos. Um presidente que ao caminhar deixa um enorme rastro, com companheiros suspeitos de crimes e até de assassinatos? Precisava entender. Sabia apenas que, segundo pesquisas eleitorais, a camada populacional responsável pelas eleições de Lula é a com menor grau de escolaridade.
Foi quando, numa conversa informal, soube de um grupo de médicos de uma universidade paulista que estudava a forma de raciocínio e o comportamento do cérebro em relação ao grau de escolaridade. Humm, aquilo me interessava! Conversei com os pesquisadores e, num resumo superficial, um dos médicos me explicou que, segundo o estudo, quanto menor o grau de escolaridade, mais concreto é o pensamento. Não existe o pensamento subjetivo nem de longo prazo. Há apenas o imediato, o necessário, o essencial. O pensamento de um indivíduo sem escolaridade vai do acordar ao tomar banho. Do comer ao fechar uma porta. São pensamentos concretos de ações ou tarefas a serem realizadas e necessidades fisiológicas a serem saciadas. Os projetos se limitam à refeição do dia seguinte.
Apesar desse estudo nada ter a ver com a política, concluí que o eleitor de Lula é fisiológico e como suas aspirações e necessidades são imediatas e concretas, garantir a esses indivíduos a refeição do dia seguinte era o suficiente. Não pensa no médio e longo prazo.
Bem, por esse estudo o brasileiro não é pacato, é ignorante. Chocante, mas era a explicação encontrada pelos pesquisadores, e ia além do simplesmente “pacato pela própria natureza”.
O tempo passou e essa teoria que parecia tão bem se encaixar aos eleitores de Lula, não era suficiente para explicar a aceitação de tantas aberrações cometidas por políticos que roubam dinheiro público e são absolvidos pela própria população roubada.
Incomoda-me não ouvir uma única voz de indignação. Mas peraí!, o silêncio não vem dos eleitores de Lula, daquele indivíduo sem escolaridade. Não é desse indivíduo que se espera uma reação, afinal, os crimes financeiros e improbidades administrativas são complexos demais para a compreensão desse cidadão.
Elaborei algumas teorias, mas era preciso confirmá-las. Foi ai que conheci Garibaldi, um motorista de taxi de Fortaleza que me trouxe a informação para confirmar a minha suspeita.
Comentei com Garibaldi sobre o “vôo da sogra”, do governador do Ceará, que viajou para a Europa em jatinho particular pago com dinheiro público. Garibaldi disse: “coitado do governador, a oposição pegou no seu pé!”.
Para Garibaldi é normal Cid Gomes ter se encantado com o poder, é razoável que ele queira viajar em um jato fretado. É certo ele ter comprado um luxuosíssimo carro apenas para lhe atender quando está em Brasília.
Garibaldi não é um cabo eleitoral de Cid Gomes, tem estudo, casa própria, seus filhos estudam e é uma pessoa bem informada que lê jornais. Essa sua postura vai além de Cid Gomes. Garibaldi elogiou e defendeu outros políticos da região, que são de grupos antagônicos ao do governador e tão ímprobos quanto. Resolveu desviar por um caminho para me mostrar as mansões desses políticos como se fossem estrelas de cinema. Para ele pouco importava se a fortuna havia sido construída com dinheiro roubado. Eram semi deuses, merecedores de toda a honra e toda a glória.
Garibaldi tem ambições e pensa no futuro, mas não questiona a sua posição na nossa sociedade, nem a forma como aqueles tinham conseguido construir aquelas mansões.
Garibaldi é o retrato de um homem resignado. O homem que eu procurava. É esse o indivíduo que suporta qualquer mal sem se revoltar, sem esboçar reação. Esse indivíduo não questiona os atos, pois para ele os detentores do poder possuem licença até para roubar, se assim desejarem.
Ele nunca se perguntou se pode ou não um dia chegar a outro patamar social, ele apenas segue a vida. Resignado.
Esse é o homem brasileiro. Resignado.
Mas chegou Lula e seu discurso tosco e grotesco arrebanhava multidões de fiéis como um beato qualquer que prega ser o novo Jesus Cristo. A explicação da passividade passou a não me satisfazer. Queria entender porque o brasileiro aceita um presidente que admite ter mentido, que zomba dos que querem ser honestos e dignos. Um presidente que ao caminhar deixa um enorme rastro, com companheiros suspeitos de crimes e até de assassinatos? Precisava entender. Sabia apenas que, segundo pesquisas eleitorais, a camada populacional responsável pelas eleições de Lula é a com menor grau de escolaridade.
Foi quando, numa conversa informal, soube de um grupo de médicos de uma universidade paulista que estudava a forma de raciocínio e o comportamento do cérebro em relação ao grau de escolaridade. Humm, aquilo me interessava! Conversei com os pesquisadores e, num resumo superficial, um dos médicos me explicou que, segundo o estudo, quanto menor o grau de escolaridade, mais concreto é o pensamento. Não existe o pensamento subjetivo nem de longo prazo. Há apenas o imediato, o necessário, o essencial. O pensamento de um indivíduo sem escolaridade vai do acordar ao tomar banho. Do comer ao fechar uma porta. São pensamentos concretos de ações ou tarefas a serem realizadas e necessidades fisiológicas a serem saciadas. Os projetos se limitam à refeição do dia seguinte.
Apesar desse estudo nada ter a ver com a política, concluí que o eleitor de Lula é fisiológico e como suas aspirações e necessidades são imediatas e concretas, garantir a esses indivíduos a refeição do dia seguinte era o suficiente. Não pensa no médio e longo prazo.
Bem, por esse estudo o brasileiro não é pacato, é ignorante. Chocante, mas era a explicação encontrada pelos pesquisadores, e ia além do simplesmente “pacato pela própria natureza”.
O tempo passou e essa teoria que parecia tão bem se encaixar aos eleitores de Lula, não era suficiente para explicar a aceitação de tantas aberrações cometidas por políticos que roubam dinheiro público e são absolvidos pela própria população roubada.
Incomoda-me não ouvir uma única voz de indignação. Mas peraí!, o silêncio não vem dos eleitores de Lula, daquele indivíduo sem escolaridade. Não é desse indivíduo que se espera uma reação, afinal, os crimes financeiros e improbidades administrativas são complexos demais para a compreensão desse cidadão.
Elaborei algumas teorias, mas era preciso confirmá-las. Foi ai que conheci Garibaldi, um motorista de taxi de Fortaleza que me trouxe a informação para confirmar a minha suspeita.
Comentei com Garibaldi sobre o “vôo da sogra”, do governador do Ceará, que viajou para a Europa em jatinho particular pago com dinheiro público. Garibaldi disse: “coitado do governador, a oposição pegou no seu pé!”.
Para Garibaldi é normal Cid Gomes ter se encantado com o poder, é razoável que ele queira viajar em um jato fretado. É certo ele ter comprado um luxuosíssimo carro apenas para lhe atender quando está em Brasília.
Garibaldi não é um cabo eleitoral de Cid Gomes, tem estudo, casa própria, seus filhos estudam e é uma pessoa bem informada que lê jornais. Essa sua postura vai além de Cid Gomes. Garibaldi elogiou e defendeu outros políticos da região, que são de grupos antagônicos ao do governador e tão ímprobos quanto. Resolveu desviar por um caminho para me mostrar as mansões desses políticos como se fossem estrelas de cinema. Para ele pouco importava se a fortuna havia sido construída com dinheiro roubado. Eram semi deuses, merecedores de toda a honra e toda a glória.
Garibaldi tem ambições e pensa no futuro, mas não questiona a sua posição na nossa sociedade, nem a forma como aqueles tinham conseguido construir aquelas mansões.
Garibaldi é o retrato de um homem resignado. O homem que eu procurava. É esse o indivíduo que suporta qualquer mal sem se revoltar, sem esboçar reação. Esse indivíduo não questiona os atos, pois para ele os detentores do poder possuem licença até para roubar, se assim desejarem.
Ele nunca se perguntou se pode ou não um dia chegar a outro patamar social, ele apenas segue a vida. Resignado.
Esse é o homem brasileiro. Resignado.
sábado, 17 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Citação
"Se cada espanhol opinasse sobre aquilo que sabe, e só a respeito do que sabe, se faria um grande silêncio, que poderíamos aproveitar para o estudo". Don Manuel Azaña.
domingo, 11 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Citação
Então, todos os estados – alguns em maior extensão que outros, mas todo estado
em um grau considerável – tem sentido a necessidade de tomar o sistema de educação,
por um motivo, em suas próprias mãos. Ele ou opera diretamente as instituições
educacionais, ou indiretamente controla tais instituições ao fazer tais operações privadas
dependentes da garantia de uma licença estatal, então assegurando que elas irão operar
dentro de um padrão pré-definido de princípios estabelecidos pelo estado. Junto com um
período bastante estendido de educação compulsória, isto tremendamente encabeçará o
estado na competição pelas mentes das pessoas entre as diferentes ideologias.
Competição ideológica que poderia representar uma séria ameaça ao estado de direito
pode, portanto, ser eliminada ou ter seu impacto consideravelmente reduzido,
especialmente se o estado como a incorporação do socialismo prossegue ao
monopolizar o mercado de trabalho para os intelectuais ao fazê-los ter de obter uma
licença estatal como pré-requisito para qualquer espécie de atividade de ensino.
Uma teoria sobre o socialismo e o capitalismo, Hans-Hermann Hope
em um grau considerável – tem sentido a necessidade de tomar o sistema de educação,
por um motivo, em suas próprias mãos. Ele ou opera diretamente as instituições
educacionais, ou indiretamente controla tais instituições ao fazer tais operações privadas
dependentes da garantia de uma licença estatal, então assegurando que elas irão operar
dentro de um padrão pré-definido de princípios estabelecidos pelo estado. Junto com um
período bastante estendido de educação compulsória, isto tremendamente encabeçará o
estado na competição pelas mentes das pessoas entre as diferentes ideologias.
Competição ideológica que poderia representar uma séria ameaça ao estado de direito
pode, portanto, ser eliminada ou ter seu impacto consideravelmente reduzido,
especialmente se o estado como a incorporação do socialismo prossegue ao
monopolizar o mercado de trabalho para os intelectuais ao fazê-los ter de obter uma
licença estatal como pré-requisito para qualquer espécie de atividade de ensino.
Uma teoria sobre o socialismo e o capitalismo, Hans-Hermann Hope
quinta-feira, 1 de maio de 2008
EUFORIA E RISCO
por Editorial da Folha 01.05.2008
O frenesi que tomou conta do mercado financeiro e da retórica governista ontem foi desencadeado por três letras B, seguidas de um sinal de menos. Trata-se da nota com a qual a agência internacional Standard & Poor's elevou o Brasil ao chamado grau de investimento ("investment grade").
Em termos técnicos, a mudança significa que, aos olhos do escritório privado de classificação de risco, emprestar ao Tesouro Nacional, comprando papéis de longo prazo emitidos em moeda estrangeira, passou a ser opção relativamente segura; deixou de ser especulativa. O potencial de impacto da alteração, no entanto, é muito mais abrangente.
Uma série de instituições multibilionárias ao redor do mundo está proibida, por lei, de aplicar recursos em países que não detenham grau de investimento. A proibição inclui, por exemplo, grandes fundos de pensão sediados nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil, a partir de agora, torna-se fronteira permitida para esse tipo de poupador.
No curto prazo, porém, as implicações positivas da decisão da Standard & Poor's, que provavelmente será imitada por outras agências globais, estarão condicionadas a dois fatores limitantes. O primeiro é a própria reputação dos principais classificadores de risco do planeta, severamente danificada pela crise das hipotecas nos EUA. O segundo, e mais importante, são as incertezas decorrentes dessa mesma crise, bem como dos temores de superaquecimento no conjunto das economias emergentes.
A propósito, ontem o Fed cortou 0,25 ponto percentual de sua taxa de juros de curto prazo, agora em 2% ao ano. Em comunicado ambíguo, o BC americano deu a entender que o ritmo de redução dos juros vai diminuir, ou até parar. Se isso significa que o risco de recessão na maior economia do planeta está caindo, como parece apontar o resultado do PIB no primeiro trimestre, será boa notícia para todos, ao menos num primeiro momento.
Apesar de ter atingido condição macroeconômica mais sólida -por conta de um misto de políticas corretas, que propiciaram previsibilidade ao ambiente dos negócios, e sorte-, o Brasil ainda ostenta indicadores muito problemáticos. Em relação a países em estágio parecido de desenvolvimento, tributa demais, pratica juros elevados e gasta uma exorbitância com a dívida pública.
O "investment grade" poderá facilitar a correção dessas distorções. Mas, sem reorientação da política econômica -que exigiria redução nos gastos públicos-, há o perigo de o Brasil tornar-se mais um exemplo de aposta furada das agências globais de risco.
O frenesi que tomou conta do mercado financeiro e da retórica governista ontem foi desencadeado por três letras B, seguidas de um sinal de menos. Trata-se da nota com a qual a agência internacional Standard & Poor's elevou o Brasil ao chamado grau de investimento ("investment grade").
Em termos técnicos, a mudança significa que, aos olhos do escritório privado de classificação de risco, emprestar ao Tesouro Nacional, comprando papéis de longo prazo emitidos em moeda estrangeira, passou a ser opção relativamente segura; deixou de ser especulativa. O potencial de impacto da alteração, no entanto, é muito mais abrangente.
Uma série de instituições multibilionárias ao redor do mundo está proibida, por lei, de aplicar recursos em países que não detenham grau de investimento. A proibição inclui, por exemplo, grandes fundos de pensão sediados nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil, a partir de agora, torna-se fronteira permitida para esse tipo de poupador.
No curto prazo, porém, as implicações positivas da decisão da Standard & Poor's, que provavelmente será imitada por outras agências globais, estarão condicionadas a dois fatores limitantes. O primeiro é a própria reputação dos principais classificadores de risco do planeta, severamente danificada pela crise das hipotecas nos EUA. O segundo, e mais importante, são as incertezas decorrentes dessa mesma crise, bem como dos temores de superaquecimento no conjunto das economias emergentes.
A propósito, ontem o Fed cortou 0,25 ponto percentual de sua taxa de juros de curto prazo, agora em 2% ao ano. Em comunicado ambíguo, o BC americano deu a entender que o ritmo de redução dos juros vai diminuir, ou até parar. Se isso significa que o risco de recessão na maior economia do planeta está caindo, como parece apontar o resultado do PIB no primeiro trimestre, será boa notícia para todos, ao menos num primeiro momento.
Apesar de ter atingido condição macroeconômica mais sólida -por conta de um misto de políticas corretas, que propiciaram previsibilidade ao ambiente dos negócios, e sorte-, o Brasil ainda ostenta indicadores muito problemáticos. Em relação a países em estágio parecido de desenvolvimento, tributa demais, pratica juros elevados e gasta uma exorbitância com a dívida pública.
O "investment grade" poderá facilitar a correção dessas distorções. Mas, sem reorientação da política econômica -que exigiria redução nos gastos públicos-, há o perigo de o Brasil tornar-se mais um exemplo de aposta furada das agências globais de risco.
RÁPIDA DETERIORAÇÃO
por Editorial da Folha
A fim de superar a maldição dos "vôos de galinha" -pequenos surtos de crescimento entremeados por grandes períodos de letargia-, a economia brasileira teria de atingir um patamar inédito de produção. Deveria ser capaz de suprir uma demanda interna pujante e, de quebra, exportar o suficiente para manter equilibradas as contas externas.
A evolução recente das contas externas mostra que o país ainda não atingiu esse patamar. A forte procura doméstica por bens e serviços impulsiona as importações e inibe vendas externas. Como resultado dessa pressão, o saldo do comércio com o restante do mundo vai-se estreitando depressa. Nos 12 meses findos em março, as vendas externas superaram as importações em US$ 34 bilhões, valor 26% menor que em março de 2007.
A deterioração comercial se soma à aceleração nas remessas de lucro das multinacionais instaladas no Brasil -para cobrir prejuízos com a crise financeira no mundo desenvolvido e/ou para aproveitar a forte cotação do real ante o dólar. A chamada conta corrente, o saldo de todas as transações com o restante do mundo à exceção dos fluxos de capital, aprofunda seu déficit em velocidade surpreendente.
A conta corrente ficou negativa em US$ 10,8 bilhões no primeiro trimestre. A nove meses do fim do ano, o déficit chegou perto do valor que o Banco Central estima para 2008. Apesar do ritmo inesperado da deterioração, o real não dá sinais firmes de desvalorizar-se, como seria natural para um país cujas condições de financiamento externo autônomo pioram. O crescimento da economia brasileira e os juros altos aqui praticados atraem investidores externos, que ajudam a manter o real valorizado.
Mas os investimentos, inclusive os estrangeiros, para ampliar a capacidade de produção no Brasil também crescem num ritmo historicamente acelerado. Ou seja, em alguma medida, à diferença de surtos anteriores de alta do PIB, a capacidade produtiva vai se aproximando do patamar desejado, em que seria possível manter crescimento forte sem desequilíbrio externo.
Sustentar a marcha do investimento produtivo deveria ser o objetivo crucial da política econômica. A alta de juros, já iniciada pelo BC, visa a controlar o ímpeto da demanda, o que é prudente, mas seus efeitos colaterais -na forma de estímulo à especulação externa, pressão sobre a dívida pública e inibição do próprio investimento produtivo- precisam ser sopesados.
É lamentável que o governo nem sequer cogite acionar a política fiscal, reduzindo seus gastos de custeio, num momento em que ela seria muito mais apropriada que o aperto nos juros.
A fim de superar a maldição dos "vôos de galinha" -pequenos surtos de crescimento entremeados por grandes períodos de letargia-, a economia brasileira teria de atingir um patamar inédito de produção. Deveria ser capaz de suprir uma demanda interna pujante e, de quebra, exportar o suficiente para manter equilibradas as contas externas.
A evolução recente das contas externas mostra que o país ainda não atingiu esse patamar. A forte procura doméstica por bens e serviços impulsiona as importações e inibe vendas externas. Como resultado dessa pressão, o saldo do comércio com o restante do mundo vai-se estreitando depressa. Nos 12 meses findos em março, as vendas externas superaram as importações em US$ 34 bilhões, valor 26% menor que em março de 2007.
A deterioração comercial se soma à aceleração nas remessas de lucro das multinacionais instaladas no Brasil -para cobrir prejuízos com a crise financeira no mundo desenvolvido e/ou para aproveitar a forte cotação do real ante o dólar. A chamada conta corrente, o saldo de todas as transações com o restante do mundo à exceção dos fluxos de capital, aprofunda seu déficit em velocidade surpreendente.
A conta corrente ficou negativa em US$ 10,8 bilhões no primeiro trimestre. A nove meses do fim do ano, o déficit chegou perto do valor que o Banco Central estima para 2008. Apesar do ritmo inesperado da deterioração, o real não dá sinais firmes de desvalorizar-se, como seria natural para um país cujas condições de financiamento externo autônomo pioram. O crescimento da economia brasileira e os juros altos aqui praticados atraem investidores externos, que ajudam a manter o real valorizado.
Mas os investimentos, inclusive os estrangeiros, para ampliar a capacidade de produção no Brasil também crescem num ritmo historicamente acelerado. Ou seja, em alguma medida, à diferença de surtos anteriores de alta do PIB, a capacidade produtiva vai se aproximando do patamar desejado, em que seria possível manter crescimento forte sem desequilíbrio externo.
Sustentar a marcha do investimento produtivo deveria ser o objetivo crucial da política econômica. A alta de juros, já iniciada pelo BC, visa a controlar o ímpeto da demanda, o que é prudente, mas seus efeitos colaterais -na forma de estímulo à especulação externa, pressão sobre a dívida pública e inibição do próprio investimento produtivo- precisam ser sopesados.
É lamentável que o governo nem sequer cogite acionar a política fiscal, reduzindo seus gastos de custeio, num momento em que ela seria muito mais apropriada que o aperto nos juros.
Meia Verdade Sobre os Impostos
Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los
“Diante de uma sociedade corrupta, tudo que é possível é o boicote – a recusa de envolver-se com ela”.
Eric Voegelin, em HITLER E OS ALEMÃES
A Folha de São Paulo de hoje noticiou, citando pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que o “brasileiro trabalha metade da vida para o Fisco”. Essa é uma meia verdade que esconde o maior dos escândalos morais da nossa sociedade, amparado nas falsas teses distributivistas do esquerdismo que tomou conta do poder desde 1985. Se as idéias não são claras, as soluções não aparecem. Meias verdades são piores que mentiras inteiras. Vejamos o porquê.
Em primeiro lugar, não existe esse “brasileiro” genérico. Tem-se, de um lado, os brasileiros pagadores dos impostos e, do outro, os brasileiros que são beneficiários DE impostos. Na prática temos que os brasileiros podem ser mais ou menos pagadores e beneficiários ao mesmo tempo, de sorte que temos aqueles que são pagadores “líquidos” (uso o conceito tomado das Ciências Contáveis) e os que são beneficiários “líquidos”. Líquido aqui é a diferença entre o que se paga e o que se recebe de impostos a qualquer título.
Os recebedores líquidos de impostos são óbvios. Banqueiros e rentistas aplicadores nos títulos da dívida pública são grandes beneficiários. É só ver quanto do orçamento público está destinado para o pagamento dos juros da dívida. Eles, os banqueiros, pagam seus impostos usando a parcela que recebem dos impostos a título de juros. Os funcionários públicos são outro grande grupo de recebedores líquidos. O “anistiados” políticos, essa chaga moral que caçoa de quem trabalha neste país. Veja-se o orçamento também que paga funcionários públicos e “anistiados”. Temos os aposentados, os bolsistas das bolsas-esmola do Lula, os “donos” de ONGs, os sindicatos, os partidos políticos, os fornecedores do governo, os que se dedicam às atividades de despachantes, facilitando as vida das pessoas que têm sua vida regulamentada pelo Estado.
Advogados são como que recebedores de impostos privados, na medida em que se dedicam a defender seus clientes do monstro Estatal. Nobre e cara atividade. Contadores da mesma forma. Uma desgraça que o Estado custe tanto. Se somarmos os custos de advogados, contadores e despachantes à carga tributária veremos que a carga real do custo do Estado é muito maior.
Os pagadores são os empreendedores e seus empregados, que pouco ou nada recebem de impostos. Agricultores, industriais, comerciantes, a classe média assalariada. Não vale “anistiado” dizer que também paga impostos, pois paga sobre aquilo que não deveria receber. Aqueles são os brasileiros roubados, vilipendiados, sugados, os escravos que pagam a festa da comunalha no poder. A mim me espanta que essa gente não tenha ainda fundado um partido de direita afirmativo, com base em um programa que comece e acabe exclusivamente na tese do Estado Mínimo. São os idiotas das praças públicas, os trouxas. Cada lei que a comunalha aprova beneficiando uma corriola qualquer implicitamente manda a conta para quem trabalha. Uma injustiça que clama aos céus.
Como toda injustiça precisa ser reparada. E não há tribunais para fazer essa reparação. Será preciso refundar a Nação para que os valores éticos superiores voltem a prevalecer na relação entre o Estado e os cidadãos, fazendo com que aqueles que produzem voltem a ser libertados de seus grilhões tributários, que a vagabundagem bancada com o suor alheio cesse e os vagabundos venham a fazer o que todos fazem: trabalhar, aos invés de esperar no fim do mês o seu quinhão de impostos. De novo é preciso libertar o povo do Faraó.
Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los, se não mostrar que, por detrás desse brasileiro genérico, tem uma minoria que moureja de sol a sol para bancar a vida boa de um magote de vagabundos, todos sócios do Erário. A super carga tributária e a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.
Eric Voegelin, em HITLER E OS ALEMÃES
A Folha de São Paulo de hoje noticiou, citando pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que o “brasileiro trabalha metade da vida para o Fisco”. Essa é uma meia verdade que esconde o maior dos escândalos morais da nossa sociedade, amparado nas falsas teses distributivistas do esquerdismo que tomou conta do poder desde 1985. Se as idéias não são claras, as soluções não aparecem. Meias verdades são piores que mentiras inteiras. Vejamos o porquê.
Em primeiro lugar, não existe esse “brasileiro” genérico. Tem-se, de um lado, os brasileiros pagadores dos impostos e, do outro, os brasileiros que são beneficiários DE impostos. Na prática temos que os brasileiros podem ser mais ou menos pagadores e beneficiários ao mesmo tempo, de sorte que temos aqueles que são pagadores “líquidos” (uso o conceito tomado das Ciências Contáveis) e os que são beneficiários “líquidos”. Líquido aqui é a diferença entre o que se paga e o que se recebe de impostos a qualquer título.
Os recebedores líquidos de impostos são óbvios. Banqueiros e rentistas aplicadores nos títulos da dívida pública são grandes beneficiários. É só ver quanto do orçamento público está destinado para o pagamento dos juros da dívida. Eles, os banqueiros, pagam seus impostos usando a parcela que recebem dos impostos a título de juros. Os funcionários públicos são outro grande grupo de recebedores líquidos. O “anistiados” políticos, essa chaga moral que caçoa de quem trabalha neste país. Veja-se o orçamento também que paga funcionários públicos e “anistiados”. Temos os aposentados, os bolsistas das bolsas-esmola do Lula, os “donos” de ONGs, os sindicatos, os partidos políticos, os fornecedores do governo, os que se dedicam às atividades de despachantes, facilitando as vida das pessoas que têm sua vida regulamentada pelo Estado.
Advogados são como que recebedores de impostos privados, na medida em que se dedicam a defender seus clientes do monstro Estatal. Nobre e cara atividade. Contadores da mesma forma. Uma desgraça que o Estado custe tanto. Se somarmos os custos de advogados, contadores e despachantes à carga tributária veremos que a carga real do custo do Estado é muito maior.
Os pagadores são os empreendedores e seus empregados, que pouco ou nada recebem de impostos. Agricultores, industriais, comerciantes, a classe média assalariada. Não vale “anistiado” dizer que também paga impostos, pois paga sobre aquilo que não deveria receber. Aqueles são os brasileiros roubados, vilipendiados, sugados, os escravos que pagam a festa da comunalha no poder. A mim me espanta que essa gente não tenha ainda fundado um partido de direita afirmativo, com base em um programa que comece e acabe exclusivamente na tese do Estado Mínimo. São os idiotas das praças públicas, os trouxas. Cada lei que a comunalha aprova beneficiando uma corriola qualquer implicitamente manda a conta para quem trabalha. Uma injustiça que clama aos céus.
Como toda injustiça precisa ser reparada. E não há tribunais para fazer essa reparação. Será preciso refundar a Nação para que os valores éticos superiores voltem a prevalecer na relação entre o Estado e os cidadãos, fazendo com que aqueles que produzem voltem a ser libertados de seus grilhões tributários, que a vagabundagem bancada com o suor alheio cesse e os vagabundos venham a fazer o que todos fazem: trabalhar, aos invés de esperar no fim do mês o seu quinhão de impostos. De novo é preciso libertar o povo do Faraó.
Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los, se não mostrar que, por detrás desse brasileiro genérico, tem uma minoria que moureja de sol a sol para bancar a vida boa de um magote de vagabundos, todos sócios do Erário. A super carga tributária e a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.
Data de Publicação: 29/04/2008
José Nivaldo Corderio
Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias
Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias
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