Não temos, contudo, a intenção de converter a democracia em fetiche. Talvez
seja verdade que nossa geração fale e pense demais em democracia e muito pouco nos
valores a que ela serve. Não se pode dizer da democracia o que Lorde Acton, com
razão, disse da liberdade: que ela não é "um meio para a consecução de um objetivo
político superior. Ela própria é o supremo objetivo político. Ela não se faz necessária
em virtude de uma administração pública; visa, antes, a assegurar a busca dos mais
altos objetivos da sociedade civil (83) e da vida privada". A democracia é, em
essência, um meio, um instrumento utilitário para salvaguardar a paz interna e a
liberdade individual. E, como tal, não é, de modo algum, perfeita ou infalível.
Tampouco devemos esquecer que muitas vezes houve mais liberdade cultural e
espiritual sob os regimes autocráticos do que em certas democracias - e é concebível
que, sob o governo de uma maioria muito homogênea e ortodoxa, o regime
democrático possa ser tão opressor quanto a pior das ditaduras. Não queremos dizer,
contudo, que a ditadura leva inevitavelmente à abolição da liberdade, e sim que a
planificação conduz à ditadura porque esta é o instrumento mais eficaz de coerção e
de imposição de ideais, sendo, pois, essencial para que o planejamento em larga
escala se torne possível. O conflito entre planificação e democracia decorre,
simplesmente, do fato de que esta constitui um obstáculo à supressão da liberdade
exigida pelo dirigismo econômico. Mas, ainda que a democracia deixe de ser uma
garantia da liberdade individual, mesmo assim ela pode subsistir de algum modo num
regime totalitário. Guardando embora a forma democrática, uma verdadeira "ditadura
do proletariado" que dirigisse de maneira centralizada o sistema econômico
provavelmente destruiria a liberdade pessoal de modo tão definitivo quanto qualquer
autocracia.
Hoje em dia, costuma-se concentrar a atenção na democracia, julgando-a o
principal valor que está sendo ameaçado. Isso, porém, não deixa de ser perigoso. De
fato, essa ênfase desmedida no valor da democracia é responsável pela crença ilusória
e infundada de que, enquanto a vontade da maioria for a fonte suprema do poder, este
não poderá ser arbitrário. A falsa segurança que tal crença infunde em muita gente
contribui sobremodo para a geral falta de consciência dos perigos que nos ameaçam.
É injustificado supor que, enquanto o poder for conferido pelo processo democrático,
ele não poderá ser arbitrário. Essa afirmação pressupõe uma falsa relação de causa e
efeito: não é a fonte do poder, mas a limitação do poder, que impede que este seja
arbitrário. O controle democrático pode impedir que o poder se torne arbitrário, mas a
sua mera existência não assegura isso. Se uma democracia decide empreender um
programa que implique necessariamente o uso de um poder não pautado por normas
fixas, este se tornará um poder arbitrário.
Hayek - O caminho da servidão
domingo, 28 de setembro de 2008
Desculpabilizando o Islão
Esta frase é de um dos comentadores deste blogue e tenho poucas esperanças de que quem não tem pudor de proferir tal coisa, seja capaz de entender que uma coisa é falar dos muçulmanos enquanto pessoas, outra é falar do islamismo, enquanto doutrina que motiva comportamentos.
Até prova em contrário, os muçulmanos, tal como os alemães e os russos, querem da vida o mesmo que qualquer outro ser humano, mas as doutrinas que em certas epocas os formataram enquanto grupos (islamismo, o nazismo e o comunismo), transformaram gente banalíssima em peças de uma engrenagem monstruosa e genocida.
É nesse sentido que Hannah Arendt fala da banalidade do mal.
Comparar a perseguição aos judeus, assente em falsidades, conjecturas paranóicas e teorias da conspiração, com a denúncia do islamismo, cujas acções são concretas, conhecidas, sangrentas e diárias, é uma obscenidade moral que faz por ignorar que foi abertamente declarada uma jihad em nome do Islão.
Está escrita em vários documentos, é veiculada todos os dias em milhares de mesquitas, ensinada em milhares de madrassas e praticada em todo o mundo, com atentados brutais que já mataram dezenas de milhares de pessoas e esmagam todos os valores que a nossa civilização duramente conquistou.
E sugerir que quem quer que ouse sequer pronunciar-se sobre o Islão, é automaticamente xenófobo, não passa de uma patética tentativa de castração moral, procurando inibir a verbalização da indignação e do desconforto perante uma ameaça concreta e abertamente declarada à nossa cultura, valores, vida e modo de vida.
No estranho mundo lido pelos olhos desta gente, o Islão nada tem a ver com os muçulmanos e o terrorismo islâmico nada tem a ver com os dois primeiros, pelo que qualquer relação com a letra e o espírito do Corão, é basicamente uma alucinação de mentes paranóicas, como a minha, por exemplo.
Em virtude deste “raciocínio”, e como que por magia, os “maus” não são aqueles que fazem a jihad, que apoiam a jihad, que rejubilam com a morte dos “infiéis”, que se fazem explodir no meio de inocentes, que desprezam a “degradante” civilização ocidental, mas nós, os que, feitos alvos, nos limitamos a descrever a ameaça.
Na cabeça da avestruz, o problema só existe se o vir, pelo que fechando os olhos, ele está automaticamente resolvido: o único problema é que tal pirueta não impede que o Corão seja o que é e que o terrorismo islâmico exista de facto.
O único problema é, enfim, a realidade.
O nosso comentarista quer acreditar que a interpretação do Corão que está na base da relação conflitual do Islão com todas as outras religiões e sociedades, é apanágio de apenas alguns fanáticos e não recolhe forte apoio entre um grande número de muçulmanos. Infelizmente a informação existe, entra pelos olhos dentro, as pessoas vêem televisão, lêem jornais, sentem na pele a incomodidade das medidas de segurança, pelo que por muito que se encha a boca com frases floribélicas, a única maneira de afirmar que uma coisa é contrário do que é, resulta , ou de estupidez pura, ou da ingestão de aguardente de gasóleo.
Só alguém nestas circunstâncias acredita que os fundamentos corânicos do terrorismo islâmico são alucinações de “fanáticos” anti-Islão.
A constante e obscena desculpabilização do Islão, é o passo seguinte na degradação moral e intelectual. É ela que permite a alguém afirmar que “ Aqui existiu uma provocação a esta comunidade”
O idiota que escreve uma coisa destas, nem entende sequer que está a reificar um ente colectivo que antes garantia não existir , atribuindo-lhe as características colectivas que antes negou.
O problema da desculpabilização é que o terrorismo islâmico existe mesmo e é de uma espécie completamente nova,sustentada na irredutível e inegociável mundivisão que o Corão transmite.
Este tipo de discurso limita-se mais uma vez a demonstrar que a intolerância que determinadas pessoas exercem relativamente à sua própria sociedade, está na medida inversa da tolerância que manifestam pela barbárie dos outros.
Como dizia Paheco Pereira, “Há um problema com o Islão”, que reside no facto de o Islão ser o que sempre foi e o Ocidente, minado pelo marxismo cultural que se entrincheirou nas universidades, no discurso politicamente correcto e nos media, ter vergonha do seu passado, dos seus valores e da sua História.
O Islão não é pacífico nem avançado, nem tolerante.
O Islão é intrinsecamente violento e essa violência releva não só do Corão mas também das interpretações dominantes que dele se fazem. Esperar-se-ia que as pessoas normais encarassem esta religião como perigosa e criassem anticorpos.
Infelizmente tal não está a acontecer e este padrão repete o que se passou com o comunismo durante quase todo o século XX. A generalidade das pessoas segue a sua vida, razoavelmente inconsciente da magnitude das forças que moldam o seu mundo. Mas os ignorantes convencidos, onde hoje pontifica uma estranha aliança de islamistas e de activistas de esquerda, continuam a asneirar como sempre fizeram.
Para a esquerda "progressista" trata-se apenas de mais uma forma de praticar a idiotia útil e de lutar contra a “sociedade burguesa”.
E assim, por não querer parecer “islamófoba”, agacham-se e tornam-se islamófilos. Os resultados deste suicídio entram-nos todos os dias pelos olhos dentro, através das notícias da Dinamarca, da Holanda, da França, da Alemanha, do Reino Unido, da Espanha, etc.
Muitos europeus “compreendem” o terrorismo suicida islamista e acham, paradoxalmente, que os grandes perigos para a Europa são os judeus e os americanos, tal como há 30 anos achavam que o perigo não vinha da URSS. São conduzidos pelo medo, pelo preconceito, pela necessidade de quererem parecer "tolerantes, em suma, por absoluta, e suicida estupidez.
Do blog Fiel Inimigo
Assinar:
Postagens (Atom)