domingo, 21 de dezembro de 2008

Bush será lembrado... Pelo menos no Curdistão



A esquerda Mundial faz passar a ideia, de forma bastante inteligente, de que o Iraque de Saddam Hussein era um país idílico, moderno, que transpirava democracia e onde as pessoas eram felizes. A triste realidade mostra-nos, no entanto, que as coisas eram tudo menos assim e que, apesar de tudo, a intervenção Norte-Americana no Iraque trouxe um sem número de boas novidades para as pobres almas curdas e xiitas Iraquianas (e suniitas, também).

Começando pelo início: a maioria das pessoas, influenciadas e levadas a acreditar na maioria dos disparates ditos pela esquerda estúpida, acredita que os Norte-Americanos usaram o Iraque enquanto puderam e, quando confrontados com um virar de costas de Saddam aos interesses Norte-Americanos, tentaram voltar a colocar as coisas como eram. Eu concordo a perspectiva da esquerda quando diz que os Estados Unidos agem por interesse. Porém, não utilizo o tom rancoroso que a esquerda utiliza quando se fala de qualquer acção dos Estados Unidos da América, independentemente de ser boa ou má.

Não utilizo por uma simples razão: desde os meus 6 anos que vejo que as pessoas actuam segundo os seus interesses, segundo aquilo que querem ver concretizado, segundo aquilo que querem proteger. Ora, os Estados são regidos por pessoas e para as pessoas, logo são parecidos com estas.

Existe gente que pensa, no entanto, que o ser humano não se rege por interesses, é bom por natureza e a sociedade é que o corrompe. A História mostra-nos o oposto daquilo que essa gente pensa: a colonização, as duas Guerras Mundiais, os genocídios, as diásporas, as Cruzadas, a existência de fronteiras, a Guerra Fria, as falcatruas do BPN, os apertares de mão do Sócrates ao Khadafi e ao Chávez, a vénia da União Europeia à pessoa de Vladimir Putin, o processo Casa Pia, dizem-nos que as pessoas, as instituições e os Estados só agem bem e sem interesses muito raramente, sendo que muitas dessas vezes são por mero acaso.

As pessoas pensam que os Estados Unidos da América são o único país do Mundo desumano, mau, que actua por interesses, que mata pessoas, que não é compreensivo e que tem mulheres como Sarah Palin a concorrer para a vice-Presidência. As pessoas esquecem-se que foi na Europa que na década de 90 os bons Sérvios (Europeus Ortodoxos), os Croatas (Europeus Cristãos) e os Bósnios (Europeus Muçulmanos) andaram todos à bulha; as pessoas esquecem-se que José Sócrates passa tanto tempo ao telefone com Caracas como ao telefone com Bruxelas; as pessoas esquecem-se que a China é um dos maiores parceiros económicos da UE e que utiliza mão-de-obra juvenil; as pessoas esquecem-se da ETA, do IRA e dos independentistas Corsos; as pessoas esquecem-se que, há uns bons aninhos, o velho Jean Marie Le Pen foi à segunda volta das Eleições Presidenciais Francesas contra Jacques Chirac.

O que falta às pessoas é aperceberem-se que todos os Estados são iguais, só que utilizam mecanismos diferentes para assegurar fins semelhantes. O que falta perceber ás pessoas é que do outro lado do Atlântico não estão indivíduos dilanteralmente opostos a nós mas sim indivíduos semelhantes a nós. O que falta perceber é que não vale a pena desviar as atenções daquilo que se passa internamente para os outros que estão lá fora. O que falta perceber é que os Estados Unidos da América são superiores e não vale a pena tentar fazer parecer que não.

Uma das maiores acusações que se fazem aos Estados Unidos da América é terem apoiado, em tempos, o Iraque de Saddam Hussein. Esta afirmação corresponde à verdade, mas a malta esquece-se de referir que a bela e querida União das República Socialistas Soviéticas fez exactamente o mesmo, tal como a bela Itália e a bela França (quando falo de ajuda, envolve obviamente meios militares e financeiros). Pouco relevo tem mas, durante a Guerra Irão-Iraque, o Iraque, apesar de apoiado pelos Estados Unidos, fez o favor de atacar alguns alvos Americanos.

Nesta década de 80, já o querido Iraque e o querido Irão andavam com planos para obter armamento nuclear. Em 1981, a aviação Israelita, em mais um dos seus grandes feitos militares, bombardeou, numa acção de Guerra Preventiva, o reactor Iraquiano Osirak, reactor esse feito com a ajuda de Chirac e d'Estaing (posteriormente, Miterrand também ajudou à festa). Ao que consta, Saddam encontrava-se pertíssimo da arma nuclear.

Em 2002/2003, poucos eram aqueles que desconfiavam da inexistência de armas de destruição maciça no Iraque. O jovem Barack Obama, por provavelmente não saber o que eram armas de destruição maciça nesta altura, diz que sempre foi contra a invasão. Porém, várias personalidades de todos os espectros políticos Americano e Europeu não só tinham a certeza disso como apoiavam uma intervenção militar Norte-Americana. A França, na altura com Chirac como Presidente da República, agiu como uma raposa, como se não soubesse que Saddam sempre teve e até chegou a utilizar, contra os Curdos, armas letais.

Até hoje as tais armas não foram descobertas. Mas quem tomou a decisão foi o George W., o satã, esse malvado, logo a culpa de tudo o que se está a passar é dele. O suposto Vietname que é o Iraque é culpa do Bush, única e exclusivamente, não de todos nós que em 2002 assitíamos e aplaudíamos.

Mas ultrapassemos esta fase e olhemos para o que era o paraíso idílico de Saddam Hussein, o desenvolvidíssimo Iraque, que apenas não vive hoje na mó de cima porque alguém se lembrou de lhe atirar com umas bombas para cima:

1 - Organizações não-Governamentais não podiam entrar no país ou, quando entravam, faziam-no de uma forma muito limitada;
2 - As mulheres não podiam sair do país sem o marido. Isto a juntar a outros caprichos tipicamente Islamicos, apesar da suposta existência de um Estado secular;
3 - Saddam Hussein governava para a família, depois para os amigos, depois para o Baath e depois para os Suniitas;
4 - Os xiitas sofreram na pele a ira de Saddam: a condenação que o levou à morte foi, aliás, a morte de 148 xiitas, pela retaliação de uma tentativa de assassinato à sua pessoa. Em 1991 (morreram 150000) e em 1999, outros ataques bem maiores foram levados a cabo contra as comunidades xiitas Iraquianas, matando milhares de pessoas e obrigando outras tantas a procurar abrigo;
5 - Escusado será dizer que não existia democracia no Iraque: o Baath era o único partido legal, não havia eleições e os opositores políticos eram perseguidos e assassinados;
6 - A Norte, no Curdistão, ocorreu um genocídio directamente incentivado por Saddam. Estima-se que 200000 pessoas tenham morrido só na Operação Affal de 1986-1989. Refugiados estima-se em 1 milhão e meio. Foi durante esta Operação que Ali ficou conhecido como "Ali, o Químico". Tirem as vossas ilacções;
7 - Água, electricidade e saneamento era coisa que raramente se via. Hoje em dia, aparecem notícias no jornal que nos dizem que o Iraque não tem água, electricidade e saneamento, como se tivessem sido os Norte-Americanos a destruir a obra feita;
8 - Não era possível as pessoas reunirem-se nas ruas e trocarem opiniões; não se podia receber dinheiro do estrangeiro;
9 - Raptos, execuções e tortura eram documentadas por todas as Organizações Não Governamentais durante os anos de Saddam;
10 - Amputação era a pena esperada para quem fugisse ao serviço militar.

Acho que, para se ter só uma ideia, são esclarecedores estes meros dez pontos feitos à pressão.

Uma coisa que deve fazer zum-zum nos ouvidos das pessoas é o facto de, de um momento para o outro, o nome Iraque lhes estar a entrar sucessivamente pela casa a dentro. O Iraque devia ser, para certas almas, um sítio pacífico!

Não, não era. As TV's é que não ligavam ao desrespeito dos Direitos Humanos por parte de Saddam, porque eram feitos por um tipo feio e de bigode; quando meia dúzia de rapazinhos louros e com nomes ocidentais fizeram nem 1/1000 daquilo que Saddam fez no Iraque, mal-tratando prisioneiros, noticiários foram abertos e o Regime de Saddam raras vezes foi abordado.

Os Americanos tinham entrado porque sim, porque eram maus e porque era preciso alimentar o lobby das armas. Efeitos positivos? Nenhuns! O Iraque era um santuário!

Porque raio é que morre tanta gente? Serão os Americanos a matar tudo quanto mexe ou serão os terroristas Islâmicos a perpetrar atentados terroristas contra cidadãos Iraquianos inocentes nos centros movimentados das grandes cidades? Será que os atentados existem porque os Americanos não deviam estar ali ou porque os terroristas não querem a ocidentalização do Iraque, querem denegrir a imagem dos Estados Unidos do Mundo e querem levar o Iraque de volta às origens? Será que Al-Sadr patrocina os atentados porque não gosta dos Estados Unidos da América ou porque está chateado por não estar ele a mandar?

Mas o que afinal trouxe a invasão de bom para o Iraque? Deixo-vos outros 10 pontos e retiro-me, já são três e meia da manhã e amanhã a coruja pia ás nove:

1 - Realização de Eleições, apesar de alguns atropelos. Se olharmos que a maioria do pessoal nem sabia o que era colocar a cruz num nome, até nem foi mau. Em 2005, votaram 12 milhões e meio de pessoas;
2 - Os curdos têm direito à vida! Quem diria!;
3 - Saddam foi retirado do poder e depois julgado, embora apenas por um dos de milhares crimes que cometeu;
4 - Afinal também existiam xiitas no Iraque, só que estavam escondidos ou enterrados;
5 - A ajuda não-governamental foi autorizada, como é óbvio, a entrar no país: dá-se comida à boca dos pobres (curdos incluídos), prestam-se serviços hospitalares e dá-se roupa às crianças;
6 - O investimento estrangeiro, que está a levar a China e a Índia rumo ao estrelato, foi autorizado. Diversas empresas Americanas começam a investir no Iraque, criando postos de trabalho;
7 - Hospitais foram construídos e remodelados, para além de outras infra-estruturas;
8 - As crianças, apesar de serem Curdas, podem ir à escola se assim entenderem e aprenderem a verdade;
9 - As mulheres, apesar da sociedade continuar retrógada, começam a ver reconhecidos alguns dos seus direitos;
10 - O filho do Saddam Hussein, Uday, deixou de torturar os jogadores da sua equipa de futebol e da selecção nacional Iraquiana. Como resultado disso, a Selecção Nacional tem vindo a ter bons resultados e até vai participar na Taça das Confederações.

Caso o Curdistão se torne independente, não seria uma boa ideia celebrar um feriado no dia 6 de Julho de cada ano, dia do aniversário de Bush?

http://fiel-inimigo.blogspot.com/

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cérebro é uma gambiarra evolutiva, diz psicólogo dos EUA

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u476536.shtml


Engenheiros americanos costumam usar a gíria "kluge" ao se referirem a soluções improvisadas para problemas em projetos. A falta de iluminação numa casa nova pode rapidamente ser resolvida, por exemplo, com um fio desencapado, uma lâmpada velha, uma extensão e esparadrapo. Esse tipo de gambiarra, diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova York, é também a melhor analogia para descrever a mente humana.

"Kluge" é o título do novo livro de Marcus, dedicado a mostrar como nossas faculdades mentais mais caras -consciência e raciocínio lógico- foram construídas pela evolução aproveitando estruturas cerebrais primitivas, na falta de algo melhor. Dá para o gasto, mas o preço que pagamos por não sermos fruto de um "projeto inteligente" é que nossa gambiarra cerebral freqüentemente entra em curto-circuito.

Auto-engano, teimosia, presunção --e crenças religiosas- seriam todos efeitos colaterais da forma como a mente é estruturada. Nossa memória, também, parece ser ótima para um caçador identificar pegadas de animais, mas não muito para guardar senhas de banco.

Analisando suas teorias à luz de experimentos psicológicos, Marcus mostra o quanto somos capazes de violar a racionalidade que supostamente é a marca registrada do Homo sapiens, o homem que sabe. Em um fenômeno conhecido como "ancoragem e ajuste", por exemplo, o cérebro é normalmente induzido por valores arbitrários --o autor descreve um experimento no qual números que saíam numa roda da fortuna influenciavam voluntários a responder uma questão não-relacionada, como "qual é a porcentagem de países africanos na ONU?"

Outro fenômeno analisado por Marcus a chamada "preparação", ou indução subliminar. As pessoas tendem a responder a perguntas sobre suas vidas com mais otimismo depois de assistir a "Os Smurfs" do que a "O Ladrão de Bicicletas".

Diante disso, Marcus acusa seu próprio professor Steven Pinker --o papa da psicologia evolutiva-- de superexaltar o cérebro humano como um órgão perfeitamente adaptado. Em entrevista à Folha, o psicólogo falou um pouco sobre como até a própria ciência cai nas armadilhas da mente.

*
FOLHA - Seu livro tem uma espécie de seção de auto-ajuda ao final, listando coisas que as pessoas podem fazer para não serem apanhadas pelos truques que a mente prega em todos nós. Ter autoconsciência dessas falhas realmente pode fazer com que identifiquemos melhor nossas irracionalidades?

GARY MARCUS - Acho que a autoconsciência ajuda mais em alguns problemas do que em outros. Podemos reduzir a quantidade de problemas que acontecem. Não acho que possamos eliminá-los. Se você refletir um pouco mais sobre alguma decisão em particular e pensar: "Estou sendo influenciado por preparação?" ou "estou sendo influenciado por ancoragem?" você poderá melhorar, às vezes. Perguntar a si próprio sobre possíveis alternativas para explicar dados pode ajudar em diversas situações.

FOLHA - O sr. critica Steven Pinker, que foi seu orientador, por vender uma imagem do cérebro com um órgão bem adaptado ao ambiente, funcionando sempre em harmonia. Pinker respondeu à sua crítica?

MARCUS - Bom, acho que ele diria que os psicólogos evolutivos certamente estão cientes de que o cérebro tem limites. Eu diria que eles estão cientes, mas não têm prestado muita atenção nisso. Acho que nós temos uma diferença de ênfase. A maior parte dos exemplos que os psicólogos evolutivos dão são sobre coisas que o cérebro faz bem. Eu tenho tentado abordar isso com equilíbrio e falar também sobre as coisas que o cérebro não faz direito.

FOLHA - Seu livro se baseia em um argumento que questiona ideologias como o design inteligente. O combate ao design inteligente foi o que motivou o livro?

MARCUS - Certamente eu quis que o livro fosse um desafio ao design inteligente. Acho que essa é uma crença bizarra em tempos modernos, mas não gastaria muito tempo da minha vida combatendo especificamente um pequeno grupo de pessoas que não acho que esteja realmente querendo ter um debate científico.

Eu estava mais interessado, acho, em desafiar a psicologia evolutiva, mas acho que o livro é um ataque forte simultâneo a quem quer que pense que nós somos "bem projetados", por qualquer razão que seja, incluindo os criacionistas.

FOLHA - O livro destaca o quanto todos nós somos vulneráveis a adotar crenças que não temos base racional para sustentar. A religião se trata disso. O sr. acha que a evolução pode nos ter "programado" para a crença religiosa?

MARCUS - A evolução nos moldou de forma a que desejássemos ter explicações para as coisas. Não gostamos de informações mal explicadas. Isso é parte da razão pela qual somos atraídos pela religião. Acho que o fato de termos viés de confirmação --o hábito de acolher evidências favoráveis àquilo em que acreditamos e de desqualificar as evidências em contrário- nos torna inclinados a aceitar a religião com explicação para coisas que acontecem.

Não acho que a evolução nos tenha tornado especificamente mais vulneráveis à religião do que a outros tipos de idéia, mas isso faz da religião um tipo de idéia muito sedutor para um humano.

FOLHA - Alguns sociólogos criticam hoje o culto ao otimismo, que é uma espécie de nova religião apregoada por livros populares de auto-ajuda. Seu livro, apesar de ter um traço de auto-ajuda, não apregoa o otimismo a qualquer custo...

MARCUS - Acho que todos procuramos ter um equilíbrio entre otimismo e realismo. O custo do otimismo excessivo é o auto-engano. E o auto-engano pode ser perigoso. Pessoas podem usar isso para justificar comportamentos que as põem em enrascadas.

FOLHA - Vários livros de ciência para leigos deste ano são títulos no estilo "Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estúpidas". Todos tentam explicar por que a mente sofre tanto auto-engano. Atacar o cérebro é a tendência nova na psicologia?

MARCUS - O que existe é a tendência entre muitos acadêmicos de elaborar as coisas considerando que o cérebro é perfeito. A economia, por exemplo, parte do pressuposto de que sempre tomamos nossas decisões racionalmente, e acho que a literatura em psicologia não vinha falando muito desse problema.

É claro que o cérebro também não é completamente irracional, mas somos limitados. Fazemos algumas coisas muito bem, outras nem tanto. O importante é ter um panorama realista, mas é como um pêndulo que sempre vai e volta. Acho que, se nesses últimos anos saíram mesmo mais livros tratando dessas limitações humanas, é uma coisa boa.

FOLHA - Com esse tipo de conhecimento caindo nas mãos de pessoas com más intenções, o sr. não acha que elas podem aproveitá-los para explorar os outros em vez de ajudá-los? Não é o caso do marketing?

MARCUS - Bom, acho que eles já estão fazendo isso. Os publicitários já sabem intuitivamente várias das coisas das quais falo no livro, e os políticos também. O ponto é que o livro pode dar poder a cidadãos e consumidores para entenderem o que está acontecendo com eles.

FOLHA - Vários dos experimentos psicológicos que o sr. descreve no livro usam testes econômicos. Alguns economistas vêem na atual crise econômica raízes que têm a ver com auto-engano e um otimismo desmesurado no mercado. A natureza humana vai tornar crises como essas sempre recorrentes?

MARCUS - Como espécie, nós somos muito vulneráveis àquilo que chamamos de "jogos de pareamento mental". Quando vemos uma pessoa ganhando dinheiro, supomos que, se fizermos a mesma coisa, vai dar certo. As pessoas não se dão conta de que recursos são limitados e nenhum desses planos pode funcionar para sempre. Aconteceu isso na crise das empresas ponto-com e agora está acontecendo com a crise das hipotecas "subprime". Em nenhuma delas as pessoas pararam para pensar que o dinheiro teria de acabar alguma hora. Os primeiros a entrarem no plano podem mesmo fazem dinheiro, mas as pessoas no fim da linha não vão conseguir, porque os recursos se acabam.

FOLHA - Quando o sr. fala sobre memória, dá como exemplo o fato de que, infelizmente, a evolução não criou em nosso cérebro um mecanismo para procurar informações arquivadas. O sr. acha que o advento da internet e do Google, afinal, pode mudar a maneira com que as pessoas lidam com a memória?

MARCUS - Acho que isso já está acontecendo. Antes as pessoas provavelmente contariam com sua própria memória, e hoje a internet pode substituí-la. Mas, na verdade, livros fazem a mesma coisa. Livros de referência, em particular, servem como substitutos para a memória há séculos. Acho que há risco de que as pessoas, se recorrerem inteiramente a máquinas, possam perder suas habilidades naturais. Hoje usam-se máquinas para fazer aritmética, e acho uma pena que as crianças de hoje não consigam fazer aritmética como nós fazíamos.

Mas, de um modo geral, acredito, é bom usar ferramentas externas. Essa é a mesma razão pela qual fabricamos martelos, carros etc.: eles nos trazem habilidades que não temos. A internet torna muito mais fácil adquirir informação. Acho que devemos aproveitar isso e poupar as crianças de passarem muito tempo decorando coisas, e ensiná-las um pouco mais sobre nossas limitações.

FOLHA - Usar pouco a memória não poderia tornar as pessoas piores em lidar com informação também?

MARCUS - Acho que, no pior dos cenários, poderia, mas não estou muito preocupado. Existe uma tendência chamada "Efeito Flynn", mostrando que em média os índices de inteligência estão crescendo, apesar de algumas habilidades estarem decrescendo. As pessoas não são tão hábeis para escrever como eram antes, mas é fato que as crianças podem encontrar informações mais facilmente, o que provavelmente é uma coisa boa. Nós podemos ensiná-las melhor a discriminar informações boas e ruins, mas os fatos disponíveis significam mesmo que uma pessoa hoje tem em média um arcabouço de informações melhor do que uma pessoa de cem anos atrás.

FOLHA - O sr. acredita que efeitos como o raciocínio por motivação e viés de confirmação seja hoje uma praga em ciência? Esse tipo de coisa está atrapalhando a academia mais do que antes?

MARCUS - Absolutamente. Cientistas são pessoas, e pessoas cometem todos os tipos de erros que eu descrevo no livro. O único motivo pelo qual a ciência progride é que há tantas pessoas trabalhando na área que idéias ruins alguma hora acabam sendo substituídas por idéias boas.

domingo, 28 de setembro de 2008

Citação

Não temos, contudo, a intenção de converter a democracia em fetiche. Talvez
seja verdade que nossa geração fale e pense demais em democracia e muito pouco nos
valores a que ela serve. Não se pode dizer da democracia o que Lorde Acton, com
razão, disse da liberdade: que ela não é "um meio para a consecução de um objetivo
político superior. Ela própria é o supremo objetivo político. Ela não se faz necessária
em virtude de uma administração pública; visa, antes, a assegurar a busca dos mais
altos objetivos da sociedade civil (83) e da vida privada". A democracia é, em
essência, um meio, um instrumento utilitário para salvaguardar a paz interna e a
liberdade individual. E, como tal, não é, de modo algum, perfeita ou infalível.
Tampouco devemos esquecer que muitas vezes houve mais liberdade cultural e
espiritual sob os regimes autocráticos do que em certas democracias - e é concebível
que, sob o governo de uma maioria muito homogênea e ortodoxa, o regime
democrático possa ser tão opressor quanto a pior das ditaduras. Não queremos dizer,
contudo, que a ditadura leva inevitavelmente à abolição da liberdade, e sim que a
planificação conduz à ditadura porque esta é o instrumento mais eficaz de coerção e
de imposição de ideais, sendo, pois, essencial para que o planejamento em larga
escala se torne possível. O conflito entre planificação e democracia decorre,
simplesmente, do fato de que esta constitui um obstáculo à supressão da liberdade
exigida pelo dirigismo econômico. Mas, ainda que a democracia deixe de ser uma
garantia da liberdade individual, mesmo assim ela pode subsistir de algum modo num
regime totalitário. Guardando embora a forma democrática, uma verdadeira "ditadura
do proletariado" que dirigisse de maneira centralizada o sistema econômico
provavelmente destruiria a liberdade pessoal de modo tão definitivo quanto qualquer
autocracia.

Hoje em dia, costuma-se concentrar a atenção na democracia, julgando-a o
principal valor que está sendo ameaçado. Isso, porém, não deixa de ser perigoso. De
fato, essa ênfase desmedida no valor da democracia é responsável pela crença ilusória
e infundada de que, enquanto a vontade da maioria for a fonte suprema do poder, este
não poderá ser arbitrário. A falsa segurança que tal crença infunde em muita gente
contribui sobremodo para a geral falta de consciência dos perigos que nos ameaçam.
É injustificado supor que, enquanto o poder for conferido pelo processo democrático,
ele não poderá ser arbitrário. Essa afirmação pressupõe uma falsa relação de causa e
efeito: não é a fonte do poder, mas a limitação do poder, que impede que este seja
arbitrário. O controle democrático pode impedir que o poder se torne arbitrário, mas a
sua mera existência não assegura isso. Se uma democracia decide empreender um
programa que implique necessariamente o uso de um poder não pautado por normas
fixas, este se tornará um poder arbitrário.

Hayek - O caminho da servidão

Desculpabilizando o Islão


"Ouço neste blogue e noutros falarem dos muçulmanos como se falou dos Judeus e fico incredulo como é que não se aprendeu com a história da Europa”

Esta frase é de um dos comentadores deste blogue e tenho poucas esperanças de que quem não tem pudor de proferir tal coisa, seja capaz de entender que uma coisa é falar dos muçulmanos enquanto pessoas, outra é falar do islamismo, enquanto doutrina que motiva comportamentos.
Até prova em contrário, os muçulmanos, tal como os alemães e os russos, querem da vida o mesmo que qualquer outro ser humano, mas as doutrinas que em certas epocas os formataram enquanto grupos (islamismo, o nazismo e o comunismo), transformaram gente banalíssima em peças de uma engrenagem monstruosa e genocida.
É nesse sentido que Hannah Arendt fala da banalidade do mal.

Comparar a perseguição aos judeus, assente em falsidades, conjecturas paranóicas e teorias da conspiração, com a denúncia do islamismo, cujas acções são concretas, conhecidas, sangrentas e diárias, é uma obscenidade moral que faz por ignorar que foi abertamente declarada uma jihad em nome do Islão.
Está escrita em vários documentos, é veiculada todos os dias em milhares de mesquitas, ensinada em milhares de madrassas e praticada em todo o mundo, com atentados brutais que já mataram dezenas de milhares de pessoas e esmagam todos os valores que a nossa civilização duramente conquistou.
E sugerir que quem quer que ouse sequer pronunciar-se sobre o Islão, é automaticamente xenófobo, não passa de uma patética tentativa de castração moral, procurando inibir a verbalização da indignação e do desconforto perante uma ameaça concreta e abertamente declarada à nossa cultura, valores, vida e modo de vida.
No estranho mundo lido pelos olhos desta gente, o Islão nada tem a ver com os muçulmanos e o terrorismo islâmico nada tem a ver com os dois primeiros, pelo que qualquer relação com a letra e o espírito do Corão, é basicamente uma alucinação de mentes paranóicas, como a minha, por exemplo.
Em virtude deste “raciocínio”, e como que por magia, os “maus” não são aqueles que fazem a jihad, que apoiam a jihad, que rejubilam com a morte dos “infiéis”, que se fazem explodir no meio de inocentes, que desprezam a “degradante” civilização ocidental, mas nós, os que, feitos alvos, nos limitamos a descrever a ameaça.
Na cabeça da avestruz, o problema só existe se o vir, pelo que fechando os olhos, ele está automaticamente resolvido: o único problema é que tal pirueta não impede que o Corão seja o que é e que o terrorismo islâmico exista de facto.
O único problema é, enfim, a realidade.

O nosso comentarista quer acreditar que a interpretação do Corão que está na base da relação conflitual do Islão com todas as outras religiões e sociedades, é apanágio de apenas alguns fanáticos e não recolhe forte apoio entre um grande número de muçulmanos. Infelizmente a informação existe, entra pelos olhos dentro, as pessoas vêem televisão, lêem jornais, sentem na pele a incomodidade das medidas de segurança, pelo que por muito que se encha a boca com frases floribélicas, a única maneira de afirmar que uma coisa é contrário do que é, resulta , ou de estupidez pura, ou da ingestão de aguardente de gasóleo.
Só alguém nestas circunstâncias acredita que os fundamentos corânicos do terrorismo islâmico são alucinações de “fanáticos” anti-Islão.

A constante e obscena desculpabilização do Islão, é o passo seguinte na degradação moral e intelectual. É ela que permite a alguém afirmar que “ Aqui existiu uma provocação a esta comunidade”
O idiota que escreve uma coisa destas, nem entende sequer que está a reificar um ente colectivo que antes garantia não existir , atribuindo-lhe as características colectivas que antes negou.
O problema da desculpabilização é que o terrorismo islâmico existe mesmo e é de uma espécie completamente nova,sustentada na irredutível e inegociável mundivisão que o Corão transmite.

Este tipo de discurso limita-se mais uma vez a demonstrar que a intolerância que determinadas pessoas exercem relativamente à sua própria sociedade, está na medida inversa da tolerância que manifestam pela barbárie dos outros.
Como dizia Paheco Pereira, “Há um problema com o Islão”, que reside no facto de o Islão ser o que sempre foi e o Ocidente, minado pelo marxismo cultural que se entrincheirou nas universidades, no discurso politicamente correcto e nos media, ter vergonha do seu passado, dos seus valores e da sua História.
O Islão não é pacífico nem avançado, nem tolerante.
O Islão é intrinsecamente violento e essa violência releva não só do Corão mas também das interpretações dominantes que dele se fazem. Esperar-se-ia que as pessoas normais encarassem esta religião como perigosa e criassem anticorpos.
Infelizmente tal não está a acontecer e este padrão repete o que se passou com o comunismo durante quase todo o século XX. A generalidade das pessoas segue a sua vida, razoavelmente inconsciente da magnitude das forças que moldam o seu mundo. Mas os ignorantes convencidos, onde hoje pontifica uma estranha aliança de islamistas e de activistas de esquerda, continuam a asneirar como sempre fizeram.
Para a esquerda "progressista" trata-se apenas de mais uma forma de praticar a idiotia útil e de lutar contra a “sociedade burguesa”.
E assim, por não querer parecer “islamófoba”, agacham-se e tornam-se islamófilos. Os resultados deste suicídio entram-nos todos os dias pelos olhos dentro, através das notícias da Dinamarca, da Holanda, da França, da Alemanha, do Reino Unido, da Espanha, etc.
Muitos europeus “compreendem” o terrorismo suicida islamista e acham, paradoxalmente, que os grandes perigos para a Europa são os judeus e os americanos, tal como há 30 anos achavam que o perigo não vinha da URSS. São conduzidos pelo medo, pelo preconceito, pela necessidade de quererem parecer "tolerantes, em suma, por absoluta, e suicida estupidez.

Do blog Fiel Inimigo

domingo, 29 de junho de 2008

O comportamento é inato ou adquirido?

Esse arranjo pode parecer estranho. Temos aqui circuitos inatos cuja função é a de regular o
funcionamento do corpo e assegurar a sobrevivência do organismo, a qual é alcançada pelo controle das operações bioquímicas internas do sistema endócrino, do sistema imunológico e das vísceras, assim como pelos impulsos e instintos. Por que deveriam esses circuitos interferir na modelaçãodaqueles mais modernos e plásticos, responsáveis pela representação de nossas experiências adquiridas? A resposta a essa importante pergunta está no fato de tanto os registros das experiências como as respostas a elas, para serem adaptativos, deverem ser avaliados e modelados por um conjunto fundamental de preferências do organismo que considera a sobrevivência o objetivo supremo. Parece que, devido a essa avaliação e modelação serem vitais para a continuidade do organismo, os genes especificam também que os circuitos inatos devem exercer uma influência poderosa sobre virtualmente todo o conjunto de circuitos que podem ser modificados pelaexperiência. Essa influência é desempenhada, em grande parte, por neurônios ”moduladores” que atuam nos circuitos restantes. Esses neurônios moduladores estão localizados no tronco cerebral e no prosencéfalo basal e são influenciados pelas interações do organismo que ocorrem a todo momento. Eles distribuem neurotransmissores (tais como dopamina, norepinefrina, serotonina e acetilcolina) por regiões dispersas do córtex cerebral e dos núcleos subcorticais. Esse inteligente arranjo pode ser descrito da seguinte maneira: 1) os circuitos reguladores inatos têm como função principal a sobrevivência do organismo e, em conseqüência, são inteirados do que está acontecendo nos setores mais modernos do cérebro; 2) o aspecto bom e mau das situações é-lhes regularmente assinalado; e 3) eles expressam a sua reação relativa a essa qualificação influenciando a forma como o resto do cérebro é modelado, de modo que esse possa apoiar a sobrevivência da maneira mais eficaz possível.

Assim, à medida que progredimos da infância para a idade adulta, o design dos circuitos cerebrais
que representam nosso corpo em evolução e sua interação com o mundo parece depender tanto das atividades em que o organismo se empenha como da ação de circuitos biorreguladores inatos à medida que os últimos reagem a tais atividades. Essa abordagem sublinha a inadequação de
conceber cérebro, comportamento e mente em termos de natureza versus educação, ou de genes versus experiência. Nossos cérebros e nossas mentes não são tábula rasa quando nascemos. Contudo, também não são, na sua totalidade, geneticamente determinados. A sombra genética tem um grande alcance mas não é completa. Os genes proporcionam a um dado componente cerebral sua estrutura precisa e a outro componente uma estrutura que está para ser determinada. No entanto, a estrutura a ser determinada só pode ser obtida sob a influência de três elementos: 1) a estrutura exata; 2) a atividade individual e as circunstâncias (nas quais a palavra final cabe aomeio ambiente humano e físico, assim como ao acaso); e 3) as pressões da auto-organização queemergem da extraordinária complexidade do sistema. O perfil imprevisível das experiências de cada indivíduo tem realmente uma palavra a acrescentar ao design dos circuitos, tanto direta como indiretamente, pela reação que desencadeia nos circuitos inatos e pelas conseqüências que tais reações têm no processo global de modelação de circuitos.

Afirmei no capítulo 2 que a operação dos circuitos de neurônios depende do padrão de conexões
existentes entre os neurônios e do poder das sinapses que estabelecem essas conexões. Num
neurônio em estado de excitação, por exemplo, as sinapses estimuladoras facilitam o disparo,
enquanto as sinapses inibidoras fazem o contrário. Neste momento, posso dizer que, devido a
diferentes experiências causarem a variação da potência sináptica dentro e através de muitos
sistemas neurais, a experiência modela o design dos circuitos. Além disso, em alguns sistemas, mais do que em outros, as potências sinápticas podem alterar-se ao longo do período de vida do indivíduo para refletir as diferentes experiências do organismo e, como resultado, o design dos circuitos cerebrais continua também a alterar-se. Os circuitos não são apenas receptivos aos resultados da primeira experiência, mas repetidamente flexíveis e suscetíveis de serem modificados por experiências contínuas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Citação

Aquele que é da opinião de que dinheiro fará qualquer coisa pode muito bem ser suspeito de fazer qualquer coisa por dinheiro.

Benjamin Franklin

sábado, 14 de junho de 2008

Porque o Ocidente é mais avançado

É preciso que se enfatize, para evitar equívocos, que o que possibilitou a dianteira
temporal conseguida pelas nações ocidentais foram fatores ideológicos que não podem ser
reduzidos simplesmente a diferença de meio ambiente. O que denominamos de civilização
humana tem sido, até hoje, uma passagem progressiva da cooperação baseada em vínculos
hegemônicos para a cooperação baseada em obrigações contratuais. Enquanto muitas raças e
povos permaneceram nos primeiros estágios desse movimento, outros avançaram
continuamente. A proeminência das nações ocidentais consistiu no fato de terem conseguido,
mais do que o resto da humanidade, conter o militarismo predatório, e de terem, assim, criado

as instituições sociais necessárias à poupança e ao investimento em larga escala. Nem mesmo
Marx contestou o fato de que a iniciativa privada e a propriedade privada dos meios de
produção foram estágios indispensáveis ao progresso que levou o homem de sua primitiva
penúria até as condições mais satisfatórias da Europa ocidental e dos Estados Unidos do
século XIX. O que faltou às Índias Orientais, à China, ao Japão e aos países muçulmanos
foram instituições que salvaguardassem os direitos individuais. A administração arbitrária dos
paxás, dos cadis, dos rajás, dos mandarins e dos daimios não era propícia à acumulação de
capital em larga escala. As garantias legais, protegendo efetivamente o indivíduo da
expropriação e do confisco, foram as fundações sobre as quais floresceu o progresso
econômico ocidental sem precedente. Essas leis não foram fruto do acaso, de acidentes
históricos ou do meio ambiente geográfico. Foram um produto da razão.

Mises - Ação Humana

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Retrato brasileiro

Retrato brasileiro

Janaína Leite

Olhei as notícias de internet sobre o caso Varig. Ai, que preguiça! Não vi nenhuma explicando o básico para que as pessoas entendam a gravidade do que está acontecendo. Então, darei minha contribuição.

1) O PT tem uma relação muito próxima com empresas de ônibus e aviação. Os laços geralmente são amarrados pelo advogado Roberto Teixeira, amigo fraterno de Lula e de boa parte da cúpula do PT. Seu nome ficou conhecido na década de 90, quando outro petista famoso, Paulo de Tarso Venceslau, denunciou Teixeira como o articulador de um esquema de arrecadação ilegal nas prefeituras petistas.

2) Nos últimos anos, Teixeira fez lobby para Antonio Celso Cipriani (Transbrasil) e Joaquim “Nenê" Constantino (Gol). O primeiro era investigador do Dops no período da ditadura. O segundo era sócio de Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Souza em uma empresa de ônibus.

3) Ronan Maria Pinto, empresário no setor de transporte público que atuava na região de Santo André, teve sociedade com um petista famoso: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”. Os dois, junto com o advogado Fernando Milman, eram donos da Roanake.

4) A Roanake é uma empresa que mandou dinheiro para offshores no Uruguai. Parte dos recursos, milhões de reais, supostamente obtidos por meio do achaque de empresários em Santo André, teria retornado para cobrir campanhas políticas do PT e de seus aliados. Algumas das offshores em questão teriam sido usadas também para lavar dinheiro do tráfico de drogas da quadrilha do Comendador Arcanjo, um dos líderes do crime organizado no país.

5) “Sombra” e Ronan foram acusados pelo Ministério Público de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. Também foram denunciados como mandantes do seqüestro e do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel em 2001. A Justiça aceitou a denúncia contra "Sombra", que está preso.

6) Os irmãos de Celso Daniel sustentaram publicamente que o prefeito foi morto por conta do esquema de dinheiro sujo que envolvia o PT. Afirmaram ainda que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sabia disso.

7) O outro sócio de Ronan na Roanake, Fernando Milman, também manteve uma empresa com um petista graúdo: Waldomiro Diniz. Antes de ir trabalhar no Planalto, Waldomiro teria atuado junto a bicheiros e a bingueiros para arrecadar R$ 1 bilhão para a campanha do PT em 2002.

8) Um dos principais contatos de Waldomiro Diniz seria o espanhol Alejandro Ortiz e seus filhos, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália e pelos parlamentares da CPI dos Bingos como o representante da máfia italiana no Brasil.

9) Diniz também teria ligações com empresários angolanos, segundo Rogério Buratti, ex-secretário de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.

10) Toda essa teia pode ser escrutinada agora, depois que a ex-diretora da Anac, Denise Abreu, afirmou publicamente que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha, a advogada Valeska Teixeira, fizeram lobby junto ao governo para que a VarigLog fosse vendida para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel.

11) Denise confirmou que a ministra-chefe da Casa Civil teria pressionado a Anac para que a venda da Varig à Gol acontecesse rapidamente. O modelo de venda original traçado pelos técnicos do governo, disse Denise, garantia o pagamento das dívidas trabalhistas da Varig e o ressarcimento dos aposentados que contribuíram com o fundo de pensão da companhia. Isso, porém, exigiria mais tempo e a venda acabou saindo sem que trabalhadores e pensionistas recebessem um tostão. O assunto foi para o Supremo Tribunal Federal.

12) A VarigLog foi repassada ao fundo americano Matlin Patterson, assessorado por Teixeira, por apenas R$ 24 milhões.

13) A venda, juntamente com a liquidação intempestiva do fundo de pensão da Varig, permitiu que a Gol, de Nenê Constantino, a quem Roberto Teixeira também assessorou, levasse a Varig _ limpinha, sem dívidas _ em março de 2007 por R$ 320 milhões. A CVM, na época, abriu um inquérito para investigar a compra.

14) A revista Veja da semana passada mostrou que a TAM fez uma oferta maior pela Varig, de R$ 738 milhões. Mesmo assim, o governo preferiu selar a operação com a Gol.

E AGORA, COMO ESTÃO AS COISAS?

1) O presidente Lula recebeu Roberto Teixeira e os compradores da VarigLog logo em seguida de a operação ter sido fechada. Autografou uma foto onde aparece sorridente.

2) O presidente Lula não recebeu os aposentados do Aerus. Quem escreve para ele sobre o assunto recebe um e-mail dizendo que o assunto está na Justiça, pois o Supremo Tribunal Federal irá julgar a liquidação-relâmpago do fundo. Até o julgamento, que pode levar anos, ninguém recebe um tostão da Varig. Muitos terão morrido quando a sentença sair.

3) Denise Abreu foi bombardeada pela mídia no caso do apagão aéreo e perdeu o cargo na Anac. Desde então, não conseguiu mais emprego.

4) A TAM negou ter feito uma oferta maior que a da Gol pela Varig. A Veja divulgou um memorando da TAM comprovando o que havia publicado.

5) A Justiça não aceitou a denúncia contra Ronan Maria Pinto no caso Celso Daniel. O consórcio liderado pelo empresário venceu a licitação de transporte público de Santo André em 5 de abril deste ano.

6) O caso Waldomiro Diniz foi esquecido. Até agora, não há decisão final da Justiça sobre o tema.

7) Rogério Buratti voltou atrás em suas denúncias, o que deve ajudar Diniz. Alejandro Ortiz e os filhos foram inocentados por falta de provas.

8) A família de Celso Daniel pediu asilo político à França. Recebia ameaças de morte no Brasil.

9) Paulo de Tarso Venceslau foi expulso do PT.

10) A mídia sabe de tudo isso e não publica.

Agora que você entendeu, combinemos assim: eu esqueço o que escrevi e você esquece do que leu, pois ninguém fará nada. Tudo continuará como sempre e o brasileiro terá orgulho de si. Afinal, ele não desiste nunca.

sábado, 31 de maio de 2008

Citações - Mises

O mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva. O mercado é um
processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o
regime da divisão do trabalho. As forças que determinam a – sempre variável – situação do
mercado são os julgamentos de valor dos indivíduos e suas ações baseadas nesses
julgamentos de valor. A situação do mercado num determinado momento é a estrutura de
preços; isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido pela interação daqueles que estão
desejosos de vender com aqueles que estão desejosos de comprar. Não há nada, em relação ao
mercado, que não seja humano, que seja místico. O processo de mercado resulta
exclusivamente das ações humanas. Todo fenômeno de mercado pode ser rastreado até as
escolhas específicas feitas pelos membros da sociedade de mercado.

O processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da
sociedade aos requisitos da cooperação mútua. Os preços de mercado informam aos
produtores o que produzir, como produzir e em que quantidade. O mercado é o ponto focal
para onde convergem e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.

(...)

A direção de todos os assuntos econômicos, na sociedade de mercado, é uma tarefa
dos empresários. Deles é o controle da produção. Estão no leme e pilotam o navio. Um
observador superficial pensaria que eles são os soberanos. Mas não são. São obrigados a
obedecer incondicionalmente às ordens do capitão. O capitão é o consumidor. Não são os
empresários, nem os agricultores, nem os capitalistas que determinam o que deve ser
produzido. São os consumidores. Se um empresário não obedece estritamente às ordens do
público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, sofre perdas, vai à
falência, e é assim removido de sua posição eminente no leme do navio. Um outro que melhor
satisfizer os desejos dos consumidores o substituirá.
Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo
menor preço. Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre
quem deve possuir e dirigir as fábricas e as fazendas. Enriquecem um homem pobre e
empobrecem um homem rico. Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que
deve ser produzido. São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e
imprevisíveis. Para eles, a única coisa que conta é sua própria safisfação. Não se sensibilizam
nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos. Se lhes for oferecido
algo que considerem melhor e que seja mais barato, abandonam os seus fornecedores
habituais. Na sua condição de compradores e consumidores, são frios e insensíveis, sem
consideração por outras pessoas.

(...)

A função empresarial, o empenho dos empresários por obter lucros, é a força motriz
da economia de mercado. Lucro e perda são os instrumentos por meio dos quais os
consumidores exercem sua supremacia no mercado. O comportamento dos consumidores
engendra os lucros e as perdas e, desta forma, transfere a propriedade dos meios de produção
das mãos dos menos eficientes para as mãos dos mais eficientes. Quanto melhor um homem
servir os consumidores, mais influente se tornará na direção das atividades econômicas. Se
não houvesse lucro e perda, os empresários não saberiam quais são as necessidades mais
urgentes dos consumidores. Mesmo que alguns empresários pudessem adivinhá-las, não
teriam os meios para ajustar corretamente a produção a elas.

Mises - Ação Humana

O HOMEM RESIGNADO

30.05.2008
O HOMEM RESIGNADO
por Adriana Vandoni
Acostumei-me com o conceito de que o brasileiro é um povo pacato, passivo. Acostumei-me a acreditar que a reação do brasileiro dependia de uma massiva provocação da mídia, caso contrário, se não fosse instigado a reagir, o brasileiro aceitaria qualquer coisa, qualquer desatino dos governos, afinal, ele é um desprovido de impetuosidade. Pensava assim, aliás, passivamente por anos acomodei-me com esta visão.

Mas chegou Lula e seu discurso tosco e grotesco arrebanhava multidões de fiéis como um beato qualquer que prega ser o novo Jesus Cristo. A explicação da passividade passou a não me satisfazer. Queria entender porque o brasileiro aceita um presidente que admite ter mentido, que zomba dos que querem ser honestos e dignos. Um presidente que ao caminhar deixa um enorme rastro, com companheiros suspeitos de crimes e até de assassinatos? Precisava entender. Sabia apenas que, segundo pesquisas eleitorais, a camada populacional responsável pelas eleições de Lula é a com menor grau de escolaridade.

Foi quando, numa conversa informal, soube de um grupo de médicos de uma universidade paulista que estudava a forma de raciocínio e o comportamento do cérebro em relação ao grau de escolaridade. Humm, aquilo me interessava! Conversei com os pesquisadores e, num resumo superficial, um dos médicos me explicou que, segundo o estudo, quanto menor o grau de escolaridade, mais concreto é o pensamento. Não existe o pensamento subjetivo nem de longo prazo. Há apenas o imediato, o necessário, o essencial. O pensamento de um indivíduo sem escolaridade vai do acordar ao tomar banho. Do comer ao fechar uma porta. São pensamentos concretos de ações ou tarefas a serem realizadas e necessidades fisiológicas a serem saciadas. Os projetos se limitam à refeição do dia seguinte.

Apesar desse estudo nada ter a ver com a política, concluí que o eleitor de Lula é fisiológico e como suas aspirações e necessidades são imediatas e concretas, garantir a esses indivíduos a refeição do dia seguinte era o suficiente. Não pensa no médio e longo prazo.

Bem, por esse estudo o brasileiro não é pacato, é ignorante. Chocante, mas era a explicação encontrada pelos pesquisadores, e ia além do simplesmente “pacato pela própria natureza”.

O tempo passou e essa teoria que parecia tão bem se encaixar aos eleitores de Lula, não era suficiente para explicar a aceitação de tantas aberrações cometidas por políticos que roubam dinheiro público e são absolvidos pela própria população roubada.

Incomoda-me não ouvir uma única voz de indignação. Mas peraí!, o silêncio não vem dos eleitores de Lula, daquele indivíduo sem escolaridade. Não é desse indivíduo que se espera uma reação, afinal, os crimes financeiros e improbidades administrativas são complexos demais para a compreensão desse cidadão.

Elaborei algumas teorias, mas era preciso confirmá-las. Foi ai que conheci Garibaldi, um motorista de taxi de Fortaleza que me trouxe a informação para confirmar a minha suspeita.

Comentei com Garibaldi sobre o “vôo da sogra”, do governador do Ceará, que viajou para a Europa em jatinho particular pago com dinheiro público. Garibaldi disse: “coitado do governador, a oposição pegou no seu pé!”.

Para Garibaldi é normal Cid Gomes ter se encantado com o poder, é razoável que ele queira viajar em um jato fretado. É certo ele ter comprado um luxuosíssimo carro apenas para lhe atender quando está em Brasília.

Garibaldi não é um cabo eleitoral de Cid Gomes, tem estudo, casa própria, seus filhos estudam e é uma pessoa bem informada que lê jornais. Essa sua postura vai além de Cid Gomes. Garibaldi elogiou e defendeu outros políticos da região, que são de grupos antagônicos ao do governador e tão ímprobos quanto. Resolveu desviar por um caminho para me mostrar as mansões desses políticos como se fossem estrelas de cinema. Para ele pouco importava se a fortuna havia sido construída com dinheiro roubado. Eram semi deuses, merecedores de toda a honra e toda a glória.

Garibaldi tem ambições e pensa no futuro, mas não questiona a sua posição na nossa sociedade, nem a forma como aqueles tinham conseguido construir aquelas mansões.

Garibaldi é o retrato de um homem resignado. O homem que eu procurava. É esse o indivíduo que suporta qualquer mal sem se revoltar, sem esboçar reação. Esse indivíduo não questiona os atos, pois para ele os detentores do poder possuem licença até para roubar, se assim desejarem.

Ele nunca se perguntou se pode ou não um dia chegar a outro patamar social, ele apenas segue a vida. Resignado.

Esse é o homem brasileiro. Resignado.

sábado, 17 de maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Citação

"Se cada espanhol opinasse sobre aquilo que sabe, e só a respeito do que sabe, se faria um grande silêncio, que poderíamos aproveitar para o estudo". Don Manuel Azaña.

domingo, 11 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

Citação

Então, todos os estados – alguns em maior extensão que outros, mas todo estado
em um grau considerável – tem sentido a necessidade de tomar o sistema de educação,
por um motivo, em suas próprias mãos. Ele ou opera diretamente as instituições
educacionais, ou indiretamente controla tais instituições ao fazer tais operações privadas
dependentes da garantia de uma licença estatal, então assegurando que elas irão operar
dentro de um padrão pré-definido de princípios estabelecidos pelo estado. Junto com um
período bastante estendido de educação compulsória, isto tremendamente encabeçará o
estado na competição pelas mentes das pessoas entre as diferentes ideologias.
Competição ideológica que poderia representar uma séria ameaça ao estado de direito
pode, portanto, ser eliminada ou ter seu impacto consideravelmente reduzido,
especialmente se o estado como a incorporação do socialismo prossegue ao
monopolizar o mercado de trabalho para os intelectuais ao fazê-los ter de obter uma
licença estatal como pré-requisito para qualquer espécie de atividade de ensino.

Uma teoria sobre o socialismo e o capitalismo, Hans-Hermann Hope

quinta-feira, 1 de maio de 2008

EUFORIA E RISCO

por Editorial da Folha 01.05.2008

O frenesi que tomou conta do mercado financeiro e da retórica governista ontem foi desencadeado por três letras B, seguidas de um sinal de menos. Trata-se da nota com a qual a agência internacional Standard & Poor's elevou o Brasil ao chamado grau de investimento ("investment grade").

Em termos técnicos, a mudança significa que, aos olhos do escritório privado de classificação de risco, emprestar ao Tesouro Nacional, comprando papéis de longo prazo emitidos em moeda estrangeira, passou a ser opção relativamente segura; deixou de ser especulativa. O potencial de impacto da alteração, no entanto, é muito mais abrangente.

Uma série de instituições multibilionárias ao redor do mundo está proibida, por lei, de aplicar recursos em países que não detenham grau de investimento. A proibição inclui, por exemplo, grandes fundos de pensão sediados nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil, a partir de agora, torna-se fronteira permitida para esse tipo de poupador.

No curto prazo, porém, as implicações positivas da decisão da Standard & Poor's, que provavelmente será imitada por outras agências globais, estarão condicionadas a dois fatores limitantes. O primeiro é a própria reputação dos principais classificadores de risco do planeta, severamente danificada pela crise das hipotecas nos EUA. O segundo, e mais importante, são as incertezas decorrentes dessa mesma crise, bem como dos temores de superaquecimento no conjunto das economias emergentes.

A propósito, ontem o Fed cortou 0,25 ponto percentual de sua taxa de juros de curto prazo, agora em 2% ao ano. Em comunicado ambíguo, o BC americano deu a entender que o ritmo de redução dos juros vai diminuir, ou até parar. Se isso significa que o risco de recessão na maior economia do planeta está caindo, como parece apontar o resultado do PIB no primeiro trimestre, será boa notícia para todos, ao menos num primeiro momento.

Apesar de ter atingido condição macroeconômica mais sólida -por conta de um misto de políticas corretas, que propiciaram previsibilidade ao ambiente dos negócios, e sorte-, o Brasil ainda ostenta indicadores muito problemáticos. Em relação a países em estágio parecido de desenvolvimento, tributa demais, pratica juros elevados e gasta uma exorbitância com a dívida pública.

O "investment grade" poderá facilitar a correção dessas distorções. Mas, sem reorientação da política econômica -que exigiria redução nos gastos públicos-, há o perigo de o Brasil tornar-se mais um exemplo de aposta furada das agências globais de risco.

RÁPIDA DETERIORAÇÃO

por Editorial da Folha

A fim de superar a maldição dos "vôos de galinha" -pequenos surtos de crescimento entremeados por grandes períodos de letargia-, a economia brasileira teria de atingir um patamar inédito de produção. Deveria ser capaz de suprir uma demanda interna pujante e, de quebra, exportar o suficiente para manter equilibradas as contas externas.

A evolução recente das contas externas mostra que o país ainda não atingiu esse patamar. A forte procura doméstica por bens e serviços impulsiona as importações e inibe vendas externas. Como resultado dessa pressão, o saldo do comércio com o restante do mundo vai-se estreitando depressa. Nos 12 meses findos em março, as vendas externas superaram as importações em US$ 34 bilhões, valor 26% menor que em março de 2007.

A deterioração comercial se soma à aceleração nas remessas de lucro das multinacionais instaladas no Brasil -para cobrir prejuízos com a crise financeira no mundo desenvolvido e/ou para aproveitar a forte cotação do real ante o dólar. A chamada conta corrente, o saldo de todas as transações com o restante do mundo à exceção dos fluxos de capital, aprofunda seu déficit em velocidade surpreendente.

A conta corrente ficou negativa em US$ 10,8 bilhões no primeiro trimestre. A nove meses do fim do ano, o déficit chegou perto do valor que o Banco Central estima para 2008. Apesar do ritmo inesperado da deterioração, o real não dá sinais firmes de desvalorizar-se, como seria natural para um país cujas condições de financiamento externo autônomo pioram. O crescimento da economia brasileira e os juros altos aqui praticados atraem investidores externos, que ajudam a manter o real valorizado.

Mas os investimentos, inclusive os estrangeiros, para ampliar a capacidade de produção no Brasil também crescem num ritmo historicamente acelerado. Ou seja, em alguma medida, à diferença de surtos anteriores de alta do PIB, a capacidade produtiva vai se aproximando do patamar desejado, em que seria possível manter crescimento forte sem desequilíbrio externo.

Sustentar a marcha do investimento produtivo deveria ser o objetivo crucial da política econômica. A alta de juros, já iniciada pelo BC, visa a controlar o ímpeto da demanda, o que é prudente, mas seus efeitos colaterais -na forma de estímulo à especulação externa, pressão sobre a dívida pública e inibição do próprio investimento produtivo- precisam ser sopesados.

É lamentável que o governo nem sequer cogite acionar a política fiscal, reduzindo seus gastos de custeio, num momento em que ela seria muito mais apropriada que o aperto nos juros.

Meia Verdade Sobre os Impostos

Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los

“Diante de uma sociedade corrupta, tudo que é possível é o boicote – a recusa de envolver-se com ela”.
Eric Voegelin, em HITLER E OS ALEMÃES

A Folha de São Paulo de hoje noticiou, citando pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que o “brasileiro trabalha metade da vida para o Fisco”. Essa é uma meia verdade que esconde o maior dos escândalos morais da nossa sociedade, amparado nas falsas teses distributivistas do esquerdismo que tomou conta do poder desde 1985. Se as idéias não são claras, as soluções não aparecem. Meias verdades são piores que mentiras inteiras. Vejamos o porquê.

Em primeiro lugar, não existe esse “brasileiro” genérico. Tem-se, de um lado, os brasileiros pagadores dos impostos e, do outro, os brasileiros que são beneficiários DE impostos. Na prática temos que os brasileiros podem ser mais ou menos pagadores e beneficiários ao mesmo tempo, de sorte que temos aqueles que são pagadores “líquidos” (uso o conceito tomado das Ciências Contáveis) e os que são beneficiários “líquidos”. Líquido aqui é a diferença entre o que se paga e o que se recebe de impostos a qualquer título.

Os recebedores líquidos de impostos são óbvios. Banqueiros e rentistas aplicadores nos títulos da dívida pública são grandes beneficiários. É só ver quanto do orçamento público está destinado para o pagamento dos juros da dívida. Eles, os banqueiros, pagam seus impostos usando a parcela que recebem dos impostos a título de juros. Os funcionários públicos são outro grande grupo de recebedores líquidos. O “anistiados” políticos, essa chaga moral que caçoa de quem trabalha neste país. Veja-se o orçamento também que paga funcionários públicos e “anistiados”. Temos os aposentados, os bolsistas das bolsas-esmola do Lula, os “donos” de ONGs, os sindicatos, os partidos políticos, os fornecedores do governo, os que se dedicam às atividades de despachantes, facilitando as vida das pessoas que têm sua vida regulamentada pelo Estado.

Advogados são como que recebedores de impostos privados, na medida em que se dedicam a defender seus clientes do monstro Estatal. Nobre e cara atividade. Contadores da mesma forma. Uma desgraça que o Estado custe tanto. Se somarmos os custos de advogados, contadores e despachantes à carga tributária veremos que a carga real do custo do Estado é muito maior.

Os pagadores são os empreendedores e seus empregados, que pouco ou nada recebem de impostos. Agricultores, industriais, comerciantes, a classe média assalariada. Não vale “anistiado” dizer que também paga impostos, pois paga sobre aquilo que não deveria receber. Aqueles são os brasileiros roubados, vilipendiados, sugados, os escravos que pagam a festa da comunalha no poder. A mim me espanta que essa gente não tenha ainda fundado um partido de direita afirmativo, com base em um programa que comece e acabe exclusivamente na tese do Estado Mínimo. São os idiotas das praças públicas, os trouxas. Cada lei que a comunalha aprova beneficiando uma corriola qualquer implicitamente manda a conta para quem trabalha. Uma injustiça que clama aos céus.

Como toda injustiça precisa ser reparada. E não há tribunais para fazer essa reparação. Será preciso refundar a Nação para que os valores éticos superiores voltem a prevalecer na relação entre o Estado e os cidadãos, fazendo com que aqueles que produzem voltem a ser libertados de seus grilhões tributários, que a vagabundagem bancada com o suor alheio cesse e os vagabundos venham a fazer o que todos fazem: trabalhar, aos invés de esperar no fim do mês o seu quinhão de impostos. De novo é preciso libertar o povo do Faraó.

Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los, se não mostrar que, por detrás desse brasileiro genérico, tem uma minoria que moureja de sol a sol para bancar a vida boa de um magote de vagabundos, todos sócios do Erário. A super carga tributária e a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.


Data de Publicação: 29/04/2008

José Nivaldo Corderio
Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias

sábado, 19 de abril de 2008

Causas da mentalidade anti-capitalista

Característica psicológica do brasileiro é a avareza e a cupidez. Kane dizia que o negócio da América é o negócio, querendo ressaltar que o empreendedorismo é um valor e um fim em si mesmo. No entanto, devido a colonização portuguesa e a decorrente mentalidade que formamos a partir desta, o brasileiro tem por princípio o enriquecimento rápido, o negócio é um mero apêndice para sua fruições mundanas. Mais que o negócio e o empreendedorismo, o que queremos mesmo é samba, futebol e carnaval. Recentemente, o empresário Antonio Ermínio de Moraes disse que estava na hora da classe empresária investir o dinheiro do próprio bolso, mas eles continuam investindo pouco. É claro que o estado brasileiro pouco contribui para construir um ambiente favorável aos negócios, mas é também verdade que os empresários não gostam de investir. Ainda somos herdeiros da mentalidade mercantilista de enriquecer para gozar a vida o mais rápido possível. Vale dizer que o empresário é por definição um realista, aquele que não se perde em ideologias focando-se no objetivo principal de ganhar dinheiro. Não que isso seja ruim. Mas se a essa mentalidade não se contrapor uma petição de princípio, na desculpa de investir e lucrar justificasse até mesmo a escravidão.

Acham que exagero? Vejam a China e seu exército ambulante de cento e quinta milhões de operários semi-escravizados que permite que os preços de seus produtos sejam baixíssimos. Aqui os países ocidentais se calam e convenientemente se esquecem - esquecem até mesmo que a China vive uma ditadura opressiva -, tudo em nome dos negócios e dos lucros. Vejam os banqueiros, através da figura de Olavo Setúbal, elogiando o governo Lula, embora este corroa até a medula as instituições e seja claramente autoritário, autocrático e corrupto, porque os lucros dos bancos dispararam como nunca antes na história desse país.

Talvez a percepção dessa ganância atávica dos endinheirados do país tenha gerado o sentimento anticapitalista que o anima o nosso povo*. Daí para a ideologia socialista é um passo, pois ela oferece a resposta emocional, entre tantas possíveis, de que a origem da pobreza é o capitalismo burguês que deve ser eliminado. Mas o que deve ser eliminada é a mentalidade atrasada. Interessante notar que essa não é uma crítica às nossas elites; o pobre galgado à riqueza comporta-se exatamente igual, torna-se um fruidor inveterado. Como qualquer construção humana o capitalismo precisa dos homens para ser feito e os brasileiros deram o seu feitio a ele.

*O pobre também é avarento, mas a avareza falsamente se justifica pela sua pobreza.

domingo, 30 de março de 2008

Olimpíadas de Pequim


O padre Antonio Maria adora uma celebridade

Não existe coisa mais hipócrita que religião. O trânsito que mantém (e sempre manteve) com os poderosos é de tocar o coração. Impérios foram justificados e sustentados por ela.

No caso da igreja católica, que nos ameaça todo dia com o fogo do inferno por sermos meros pecadores, ao mesmo tempo que afirma que nossa natureza pecadora é irremediável, o que torna "largo o caminho da perdição e estreito o caminho da salvação", sua hipocrisia e conúbio com o poder é gritante. Até hoje se queixa do estado laico e se apoia a democracia é como o lobo enjaulado admirando os cordeiros. À primeira oportunidade engole a liberdade e impõe sua teocracia.

E o padre Antonio Maria, hein? Anda sempre muito bem acompanhado: são adúlteros, promíscuos, fornicadores, agiotas, todos que a igreja condena no mais profundo fogo do inferno, mas o nosso padre está lá, sempre perto deles, celebrando missas, abençoando. Quando lhe assisti no casamento da Carla Perez, que viveu em concubinato com o Alexandre Pires, grávida e de barriguinha saliente, com o Xande mal pude acreditar. Desde que seja poderoso a igreja faz pouco dos dogmas. E o Bentinho XVI quer ser conservador e restaurar os bons costumes, proibir a camisinha, o segundo casamento. Preocupado deve estar com a palavra de Deus. Mas Deus também não se decide, cada hora fala uma coisa. Não, não. São seus emissários que não entendem. O que me remete ao pensamento de que ou Deus não fala com clareza ou escolhe emissários que não sabem ouvir.

Bom, mas fiquemos com o Padre Antonio Maria. Acho-o um bom exemplo de hipocrisia. O padre das celebridades, onde há uma ele está lá abençoando mesmo quando estão carregadas de pecados enquanto a igreja vai cozinhando a carne do populacho no inferno brando da ignorância.

Fitna

O curta-metragem Fitna, do deputado holandês Geert Wilders, disponível aqui, mostra a visão pessoal do autor que vê o islã dominado pelo fanatismo e violência. É evidente que a posição de Geert pode ser considerado ofensiva aos muçulmanos, mas é inegável que ele tem o direito de expressá-la. Sem entrar no mérito da questão, se Geert não puder dizer o que pensa sobre o islã, caso este último corresponda ao que pensa o deputado, apenas porque ofende seus seguidores o islã estará livre para atuar de forma violenta e fanática. A liberdade de expressão é o que permite a correção dos valores conflitantes; força a mudança, o ajuste. Sem ela, os agentes se sentem livres para fazerem o que quiserem. Como toda criação humana está sujeita à deformação inerentemente humana das coisas. Não é o instrumento perfeito, é o instrumento melhor e possível.

O islã é contra a liberdade de expressão porque a sua natureza autoritária pode ser confrontada e combatida por ela. Invocar a ofensa não é um recurso lógico de dois que debatem, é o recurso hipócrita usado pelo lado que não quer o diálogo, ainda que a ofensa seja usada como meio ilegítimo. Ora, classificar qualquer crítica ao islã como ofensa é fechar as portas da argumentação, é colocar-se numa posição de vestal onde o diálogo só e possível conforme as regras que ele mesmo estabelece, o que no fundo é apenas um artifício, um estratagema que nada discute, apenas mantém o status quo.

Usando a liberdade de expressão os muçulmanos podem contra-atacar criando um vídeo onde os aspectos positivos do islã são ressaltados, inclusive em comparação aos valores ocidentais. Podem criticar o cristianismo mostrando que este é ainda mais violento. No entanto, não o fazem; usam o caminho da censura e da indignação. Só pode ser porque, sub-repticiamente, sabem que os seus valores estão condenados a morte se não forem impostos a ferro e fogo. O radicalismo e o fanatismo é um ato de desespero tentando salvar um moribundo. Por isso eles precisão de tudo, pois que se tornam nada.

sábado, 29 de março de 2008

O dossiê da Dilma e a barriga do brasileiro

Dizem, e não dizem mal, que o caso dos dossiês contra o FHC expõe o ridículo do governo Lula. Pode até ser, se o Lula tivesse esse sentimento normal que caracteriza a espécie humana, a vergonha. Mas como o Lula é um sem-vergonha descarado, bem como os seus asseclas, ele passará pelo episódio sem maiores constragimentos. E sabem do que mais? O povo o justificará, se já não o justifica. O povo brasileiro não sabe lá o que é princípios, a única coisa que importa é a barriga e a barriga tem andado cheia. O resultado da digestão, além da alimentação, é a excreção. É lógico que vai dar merda, que outra coisa poderíamos esperar?

Um tapinha não dói

Leio no noticiário que o compositor da música que dá título ao post, Rômulo Costa, foi multado em quinhentos mil reais por causa da dita canção. Para o judiciário a letra é ofensiva às mulheres. Os juízes vão mudar a face do brasil. Vão fiscalizar os abusos de expressão, mas quando o negócio é prender políticos e empresários corruptos o judiciário não vai fiscalizar nada, pois são todos compadres, não é mesmo?

Alvíssaras! Os juízes chegam na comissão de frente da escola de samba, cada qual com sua pizza e os bolsos furados de dinheiro e boas intenções. Dizem, e dizem bem, que o Lula e seu governo desmoralizam as intituições. Mas o judiciário não precisa do Lula para fazê-lo; fá-lo sozinho.

E, sinceramente, após essa sapientíssima decisão os níveis de violência contra a mulher despencarão. Os crentes acreditam na força da fé para mover as montanhas, o brasileiro na força do papel. Basta algo estar escrito para que se torne verdade incotestável. Nem a polícia, nem a cadeia para os espancadores far-se-ão necessárias, o papel resolveu tudo. Sabemos que a Terra gira em torno do Sol, mas se não apresentarmos um documento, de preferência com o brasão da república e a assinatura de alguma autoridade, o judiciário não acreditará.

Mas podem ficar tranquilos, em vista de tanta porrada cotidiana, um tapinha não dói. Mas, mulherada, esse tapinha doeu - empatamos.

sexta-feira, 21 de março de 2008

sábado, 8 de março de 2008

Banhos de sangue aos magotes

Eles nem fixavam os nomes, simplesmente fixavam cotas de mortes aos milhares. A 2 de Julho de 1937, o Politiburo ordenou que os secretários locais prendessem e fuzilassem "os elementos anti-soviéticos mais hostis" que deveriam ser sentenciados por troikas, tribunas de três homens que incluíam usualmente o secretário do partido, o procurador e o chefe da NKVD local.

O objetivo era "acabar de uma vez por todas" com todos os inimigos e com aqueles impossíveis de educar no socialismo, de modo a acelerar o desaparecimento das barreiras de classe e, portanto, a instauração do paraíso para as massas. Essa solução final era um massacre que fazia sentido em termos da fé e do idealismo do bolchevismo, que era uma religião baseada na destruição sistemática das classes. O princípio de ordenar o assassinato como cotas industriais do Plano Quinquenal era, portanto, natural. Os detalhes não importavam: se a destruição dos judeus por Hitler foi genocídio, então aquilo foi democídio, a luta de classes de transformando em canibalismo. A 30 de julho, Iejov e seu adjunto, Mikhail Frinovisk, propuseram a Ordem nº 00447 ao Politiburo: que, entre 5 e 15 de agosto, as regiões deveriam receber cotas para duas categorias: Categoria Um, fuzilamento: Categoria Dois, deportação. Eles sugeriram que 72 950 deveriam ser fuziladas e 249 450 presos, embora não incluíssem algumas regiões. As regiões deveriam apredentar mais listas. As famílias dessas pessoas deveriam ser deportadas também. O politiburo confirmou essa ordem no dia seguinte.

Não demorou para que esse "moedor de carne" adquirisse tal impulso que, conforme a caça às bruxas se aproximava de seu auge de ciúmes e as ambições locais se atiçavam, cada vez mais gente era jogada na máquina. As coras eram logo cumpridas pelas regiões, que pediram então números maiores: entre 28 de agosto e 15 de dezembro, o Politiburo concordou com o fuzilamento de outras 22 500 pessoas e, depois, com mais 48 mil. Nisso o Terror foi diferente dos crimes de Hitler, que destruíram sistematicamente um alvo limitado: judeus e ciganos. Na Rússia, ao contrário, a morte era, às vezes, aleatória: o comentário esquecido há muito tempo, o flerte com a oposição, a inveja do emprego, da mulher ou da casa de outro homem, vingança ou simplesmente pura coincidência causaram a morte e a tortura de famílias inteiras. Isso não importava: "Melhor ir çonge demais do que não ir o suficiente", disse Iejov a seus homens, enquanto a cota original de prisões da Ordem 00447 inflava de 767 397 prisões e 386 798 execuções.

Ao mesmo tempo, Iejov atacava "contingentes nacionais", ou seja, a execução por nacionalidade, contra poloneses e alemães que viviam na Rússia, entre outros. A 11 de agosto, ele assinou a Ordem nº 00485, para liquidar "diversionistas e grupos de espionagem poloneses", a qual consumiria a maior parte do Partido Comunista Polonês, a maioria dos poloneses no interior da liderança bolchevique, qualquer um que tivesse "contatos consulares" ou sociais e, é claro, suas esposas e filhos. Cerca de 350 mil pessoas (das quais 144 mil poloneses) foram presas nessa operação, com 247 157 fuzilados (110 mil poloneses) - minigenocídio. No total, pelas últimas estimativas, combinando as cotas e os contingentes nacionais, um milhão e meio foram presos nessas operações e cerca de 700 mil fuzilados.

Trecho de Stálin - A corte do czar vermelho, de Montefiore.

terça-feira, 4 de março de 2008

Citações

Gratidão é a virtude de um cachorro - Stálin

Uma revolução sem pelotão de fuzilamento não faz sentido - Lênin

Um inimigo do povo não é apenas alguém que faz sabotagem, mas alguém que duvida da correção da linha do partido. Há muitos deles e precisamos liquidá-los - Stálin

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A unanimidade da Globo

Uma das grandes unanimidades nacionais é a Rede Globo que tem dezenove programas dos vinte mais assistidos. Essa audiência toda não é o reflexo do seu poder de manipulação, embora manipule, mas da sua capacidade de entender o que o público quer e gosta criando programações finamente sintonizadas com o desejo dos espectadores. O tão decantado poder da Globo é conquistado diariamente e se ela seduz o público é porque este está enamorado. Essa é a questão. Tal poder sustenta-se em areia movediça e é tão instável quanto as preferências do povo sendo uma via de mão dupla: ao mesmo tempo que impõe uma estética, se é que podemos chamar assim, o alcance dessa mesma estética só vai aonde o público aprova e como o público médio tem limitações culturais a repetição dos mesmos temas e formatos é a regra geral.

A programação se baseia em novelas, futebol e noticiário. O resto é secundário. Permeando toda a grade encontramos uma técnica, para os padrões nacionais, que poderíamos chamar de primorosa. A técnica é a arte por excelência dos programas populares. Antes de provocar a reflexão ou a pura contemplação estética a arte popular deve encantar os sentidos, principalmente os olhos. Por isso os filmes gastam milhões em efeitos especiais. A indústria há muito percebeu que a técnica suplante o enredo e muitos filmes se definem como uma sucessão de cenas extasiantes, quase completas em si mesmas, montadas como se fossem recortes ou fragmentos enxertados. Percebida a importância da técnica basta aplicá-la.

No caso da Globo o forte são as novelas, gênero que caiu nas graças do povo. Há uma trama principal; um mocinho e uma mocinha que vão se apaixonar travando uma batalha tortuosa para ficarem juntos, na qual enfrentam diversas adversidades; e há as tramas secundárias muitas do mesmo tipo da principal ou a exploração de um outro tema popular: o desamor de uma filha pela mãe, uma doença grave na família, a solidão de um velho, por aí vai. Há também os vilões que serão os mais celerados possíveis.

Qualquer tentativa de mudar o tópico ou o formato redunda em fracasso comercial obrigando a emissora a terminar a novela como pode-se observar algumas vezes. Com efeito, o público empurra à emissora um modo de ver e compreender a realidade tanto quanto a emissora o faz. Artisticamente, a Globo, como qualquer emissora televisiva, torna-se nulidade, pois, os objetivos perseguidos são díspares. É engraçado ver atores, diretores e autores comportando-se como artistas quando são apenas operários de uma indústria de serviços. Escravos do público, tornam-se meros produtos da preferência de ocasião.

Esse giro sem fim da relação público/emissora não tem data para acabar - é característica da indústria de entretenimento a da cultura das massas. Talvez, modernizando-se, o país rompa com a unanimidade, porque nunca foram tão verdadeiras as palavras de Nelson rodrigues: toda unanimidade é burra.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O PT e a sua moral

Todo vez que se faz uma acusação de corrupção ao PT, o antigo partido da ética e da pureza, ele se defende alegando que só faz copiar as antigas práticas dos partidos no poder do passado. Assim, no caixa dois, ele mostrou que era uma prática antiga do PSDB. Quanto ao dinheiro de campanha, financiada pelas estatais, mais uma demonstração dos métodos que o PSDB usava, apenas elevada à décima potência. De fato o PT é um potencializador. O argumento é o seguinte: meu vizinho roubou, por que eu não posso roubar também? E por que limitar-me a roubar apenas o montante do meu antecessor? Posso roubar muito mais. Posso roubar até dez vezes mais, o céu é o limite.

Agora um novo escândalo - que não vai dar em nada, além de tinta em jornal e bytes em computadores - os cartões corporativos. Descobriu-se que todos usavam da mamata, inclusive o nosso impoluto governador e presidenciável José Serra. E o PT maneja a opinião pública e transforma a todos em excremento. Porque o PT é merda e está muito bem acompanhado. O PSDB, o PMDB, o PDT, a lista anda.

No que inova, realmente, o PT é sensacional. Os outros ainda tinham espaço, reduzido dirão, para uma certa moral, talvez porque tivessem um pouco de vergonha. Já o PT não a tem. Sua moral é simples e direta, pequena e acolhedora. É a moral dos desavergonhados, a moral dos bandidos.

No que inova, realmente, o PT é sensacional. Os outros ainda tinham espaço, reduzido dirão, para uma certa moral, talvez porque tivessem um pouco de vergonha. Já o PT não a tem. Sua moral é simples e direta, pequena e acolhedora. É a moral dos desavergonhados, a moral dos bandidos.

Duvido que o PT existisse sem o PSDB. Duvido que o lulismo existisse sem a contribuição diligente e calorosa dos tucanos. Vejam o Aécio com sua aliança ao PT. Não é um beijo lascivo de prostitutas? Na CPMF o Serra discutiu com Lula quem ficava por cima ou por baixo. Reclamam que não há oposição. Não há mesmo, pois os atores do jogo se revelaram, os honestos contra os desonestos e não sobrou ninguém no primeiro time. O povo trocou a ética pelo leitinho, mas será que alguma vez teve alguma? Será todos esses ladrões que brotam que nem tiririca, qual esterco os nutre?

Ideologias, princípios, valores, postulados, qual nada. Money, money money money money money money money.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Meninas do dia seguinte

O Governo Federal agora vai distribuir pílulas do dia seguinte para as meninas, basta que se dirijam a um posto de saúde e peçam. O que incomoda na medida é que as menores de idade podem ser atendidas sem o intermédio dos pais. O Governo se arvora guardião da sexualidade das crianças e toma resoluções, no mínimo, imorais.

Meninas que tomam pílulas do dia seguinte sem o conhecimento dos pais complementam pais que não tomam conhecimento do que fazem suas filhas. É um círculo fechado que gera comportamento irresponsável. Todo e qualquer, inclusive o sexual. É uma crise de valores e o Governo Lula é a cara típíca dessa gente que o elegeu. Governo inconsequente e ladrão, pais ausentes e narcisistas e meninas que não valem o dia seguinte...

Colaboradores