domingo, 29 de junho de 2008

O comportamento é inato ou adquirido?

Esse arranjo pode parecer estranho. Temos aqui circuitos inatos cuja função é a de regular o
funcionamento do corpo e assegurar a sobrevivência do organismo, a qual é alcançada pelo controle das operações bioquímicas internas do sistema endócrino, do sistema imunológico e das vísceras, assim como pelos impulsos e instintos. Por que deveriam esses circuitos interferir na modelaçãodaqueles mais modernos e plásticos, responsáveis pela representação de nossas experiências adquiridas? A resposta a essa importante pergunta está no fato de tanto os registros das experiências como as respostas a elas, para serem adaptativos, deverem ser avaliados e modelados por um conjunto fundamental de preferências do organismo que considera a sobrevivência o objetivo supremo. Parece que, devido a essa avaliação e modelação serem vitais para a continuidade do organismo, os genes especificam também que os circuitos inatos devem exercer uma influência poderosa sobre virtualmente todo o conjunto de circuitos que podem ser modificados pelaexperiência. Essa influência é desempenhada, em grande parte, por neurônios ”moduladores” que atuam nos circuitos restantes. Esses neurônios moduladores estão localizados no tronco cerebral e no prosencéfalo basal e são influenciados pelas interações do organismo que ocorrem a todo momento. Eles distribuem neurotransmissores (tais como dopamina, norepinefrina, serotonina e acetilcolina) por regiões dispersas do córtex cerebral e dos núcleos subcorticais. Esse inteligente arranjo pode ser descrito da seguinte maneira: 1) os circuitos reguladores inatos têm como função principal a sobrevivência do organismo e, em conseqüência, são inteirados do que está acontecendo nos setores mais modernos do cérebro; 2) o aspecto bom e mau das situações é-lhes regularmente assinalado; e 3) eles expressam a sua reação relativa a essa qualificação influenciando a forma como o resto do cérebro é modelado, de modo que esse possa apoiar a sobrevivência da maneira mais eficaz possível.

Assim, à medida que progredimos da infância para a idade adulta, o design dos circuitos cerebrais
que representam nosso corpo em evolução e sua interação com o mundo parece depender tanto das atividades em que o organismo se empenha como da ação de circuitos biorreguladores inatos à medida que os últimos reagem a tais atividades. Essa abordagem sublinha a inadequação de
conceber cérebro, comportamento e mente em termos de natureza versus educação, ou de genes versus experiência. Nossos cérebros e nossas mentes não são tábula rasa quando nascemos. Contudo, também não são, na sua totalidade, geneticamente determinados. A sombra genética tem um grande alcance mas não é completa. Os genes proporcionam a um dado componente cerebral sua estrutura precisa e a outro componente uma estrutura que está para ser determinada. No entanto, a estrutura a ser determinada só pode ser obtida sob a influência de três elementos: 1) a estrutura exata; 2) a atividade individual e as circunstâncias (nas quais a palavra final cabe aomeio ambiente humano e físico, assim como ao acaso); e 3) as pressões da auto-organização queemergem da extraordinária complexidade do sistema. O perfil imprevisível das experiências de cada indivíduo tem realmente uma palavra a acrescentar ao design dos circuitos, tanto direta como indiretamente, pela reação que desencadeia nos circuitos inatos e pelas conseqüências que tais reações têm no processo global de modelação de circuitos.

Afirmei no capítulo 2 que a operação dos circuitos de neurônios depende do padrão de conexões
existentes entre os neurônios e do poder das sinapses que estabelecem essas conexões. Num
neurônio em estado de excitação, por exemplo, as sinapses estimuladoras facilitam o disparo,
enquanto as sinapses inibidoras fazem o contrário. Neste momento, posso dizer que, devido a
diferentes experiências causarem a variação da potência sináptica dentro e através de muitos
sistemas neurais, a experiência modela o design dos circuitos. Além disso, em alguns sistemas, mais do que em outros, as potências sinápticas podem alterar-se ao longo do período de vida do indivíduo para refletir as diferentes experiências do organismo e, como resultado, o design dos circuitos cerebrais continua também a alterar-se. Os circuitos não são apenas receptivos aos resultados da primeira experiência, mas repetidamente flexíveis e suscetíveis de serem modificados por experiências contínuas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Citação

Aquele que é da opinião de que dinheiro fará qualquer coisa pode muito bem ser suspeito de fazer qualquer coisa por dinheiro.

Benjamin Franklin

sábado, 14 de junho de 2008

Porque o Ocidente é mais avançado

É preciso que se enfatize, para evitar equívocos, que o que possibilitou a dianteira
temporal conseguida pelas nações ocidentais foram fatores ideológicos que não podem ser
reduzidos simplesmente a diferença de meio ambiente. O que denominamos de civilização
humana tem sido, até hoje, uma passagem progressiva da cooperação baseada em vínculos
hegemônicos para a cooperação baseada em obrigações contratuais. Enquanto muitas raças e
povos permaneceram nos primeiros estágios desse movimento, outros avançaram
continuamente. A proeminência das nações ocidentais consistiu no fato de terem conseguido,
mais do que o resto da humanidade, conter o militarismo predatório, e de terem, assim, criado

as instituições sociais necessárias à poupança e ao investimento em larga escala. Nem mesmo
Marx contestou o fato de que a iniciativa privada e a propriedade privada dos meios de
produção foram estágios indispensáveis ao progresso que levou o homem de sua primitiva
penúria até as condições mais satisfatórias da Europa ocidental e dos Estados Unidos do
século XIX. O que faltou às Índias Orientais, à China, ao Japão e aos países muçulmanos
foram instituições que salvaguardassem os direitos individuais. A administração arbitrária dos
paxás, dos cadis, dos rajás, dos mandarins e dos daimios não era propícia à acumulação de
capital em larga escala. As garantias legais, protegendo efetivamente o indivíduo da
expropriação e do confisco, foram as fundações sobre as quais floresceu o progresso
econômico ocidental sem precedente. Essas leis não foram fruto do acaso, de acidentes
históricos ou do meio ambiente geográfico. Foram um produto da razão.

Mises - Ação Humana

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Retrato brasileiro

Retrato brasileiro

Janaína Leite

Olhei as notícias de internet sobre o caso Varig. Ai, que preguiça! Não vi nenhuma explicando o básico para que as pessoas entendam a gravidade do que está acontecendo. Então, darei minha contribuição.

1) O PT tem uma relação muito próxima com empresas de ônibus e aviação. Os laços geralmente são amarrados pelo advogado Roberto Teixeira, amigo fraterno de Lula e de boa parte da cúpula do PT. Seu nome ficou conhecido na década de 90, quando outro petista famoso, Paulo de Tarso Venceslau, denunciou Teixeira como o articulador de um esquema de arrecadação ilegal nas prefeituras petistas.

2) Nos últimos anos, Teixeira fez lobby para Antonio Celso Cipriani (Transbrasil) e Joaquim “Nenê" Constantino (Gol). O primeiro era investigador do Dops no período da ditadura. O segundo era sócio de Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Souza em uma empresa de ônibus.

3) Ronan Maria Pinto, empresário no setor de transporte público que atuava na região de Santo André, teve sociedade com um petista famoso: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”. Os dois, junto com o advogado Fernando Milman, eram donos da Roanake.

4) A Roanake é uma empresa que mandou dinheiro para offshores no Uruguai. Parte dos recursos, milhões de reais, supostamente obtidos por meio do achaque de empresários em Santo André, teria retornado para cobrir campanhas políticas do PT e de seus aliados. Algumas das offshores em questão teriam sido usadas também para lavar dinheiro do tráfico de drogas da quadrilha do Comendador Arcanjo, um dos líderes do crime organizado no país.

5) “Sombra” e Ronan foram acusados pelo Ministério Público de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. Também foram denunciados como mandantes do seqüestro e do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel em 2001. A Justiça aceitou a denúncia contra "Sombra", que está preso.

6) Os irmãos de Celso Daniel sustentaram publicamente que o prefeito foi morto por conta do esquema de dinheiro sujo que envolvia o PT. Afirmaram ainda que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sabia disso.

7) O outro sócio de Ronan na Roanake, Fernando Milman, também manteve uma empresa com um petista graúdo: Waldomiro Diniz. Antes de ir trabalhar no Planalto, Waldomiro teria atuado junto a bicheiros e a bingueiros para arrecadar R$ 1 bilhão para a campanha do PT em 2002.

8) Um dos principais contatos de Waldomiro Diniz seria o espanhol Alejandro Ortiz e seus filhos, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália e pelos parlamentares da CPI dos Bingos como o representante da máfia italiana no Brasil.

9) Diniz também teria ligações com empresários angolanos, segundo Rogério Buratti, ex-secretário de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.

10) Toda essa teia pode ser escrutinada agora, depois que a ex-diretora da Anac, Denise Abreu, afirmou publicamente que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha, a advogada Valeska Teixeira, fizeram lobby junto ao governo para que a VarigLog fosse vendida para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel.

11) Denise confirmou que a ministra-chefe da Casa Civil teria pressionado a Anac para que a venda da Varig à Gol acontecesse rapidamente. O modelo de venda original traçado pelos técnicos do governo, disse Denise, garantia o pagamento das dívidas trabalhistas da Varig e o ressarcimento dos aposentados que contribuíram com o fundo de pensão da companhia. Isso, porém, exigiria mais tempo e a venda acabou saindo sem que trabalhadores e pensionistas recebessem um tostão. O assunto foi para o Supremo Tribunal Federal.

12) A VarigLog foi repassada ao fundo americano Matlin Patterson, assessorado por Teixeira, por apenas R$ 24 milhões.

13) A venda, juntamente com a liquidação intempestiva do fundo de pensão da Varig, permitiu que a Gol, de Nenê Constantino, a quem Roberto Teixeira também assessorou, levasse a Varig _ limpinha, sem dívidas _ em março de 2007 por R$ 320 milhões. A CVM, na época, abriu um inquérito para investigar a compra.

14) A revista Veja da semana passada mostrou que a TAM fez uma oferta maior pela Varig, de R$ 738 milhões. Mesmo assim, o governo preferiu selar a operação com a Gol.

E AGORA, COMO ESTÃO AS COISAS?

1) O presidente Lula recebeu Roberto Teixeira e os compradores da VarigLog logo em seguida de a operação ter sido fechada. Autografou uma foto onde aparece sorridente.

2) O presidente Lula não recebeu os aposentados do Aerus. Quem escreve para ele sobre o assunto recebe um e-mail dizendo que o assunto está na Justiça, pois o Supremo Tribunal Federal irá julgar a liquidação-relâmpago do fundo. Até o julgamento, que pode levar anos, ninguém recebe um tostão da Varig. Muitos terão morrido quando a sentença sair.

3) Denise Abreu foi bombardeada pela mídia no caso do apagão aéreo e perdeu o cargo na Anac. Desde então, não conseguiu mais emprego.

4) A TAM negou ter feito uma oferta maior que a da Gol pela Varig. A Veja divulgou um memorando da TAM comprovando o que havia publicado.

5) A Justiça não aceitou a denúncia contra Ronan Maria Pinto no caso Celso Daniel. O consórcio liderado pelo empresário venceu a licitação de transporte público de Santo André em 5 de abril deste ano.

6) O caso Waldomiro Diniz foi esquecido. Até agora, não há decisão final da Justiça sobre o tema.

7) Rogério Buratti voltou atrás em suas denúncias, o que deve ajudar Diniz. Alejandro Ortiz e os filhos foram inocentados por falta de provas.

8) A família de Celso Daniel pediu asilo político à França. Recebia ameaças de morte no Brasil.

9) Paulo de Tarso Venceslau foi expulso do PT.

10) A mídia sabe de tudo isso e não publica.

Agora que você entendeu, combinemos assim: eu esqueço o que escrevi e você esquece do que leu, pois ninguém fará nada. Tudo continuará como sempre e o brasileiro terá orgulho de si. Afinal, ele não desiste nunca.

Colaboradores