O mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva. O mercado é um
processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o
regime da divisão do trabalho. As forças que determinam a – sempre variável – situação do
mercado são os julgamentos de valor dos indivíduos e suas ações baseadas nesses
julgamentos de valor. A situação do mercado num determinado momento é a estrutura de
preços; isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido pela interação daqueles que estão
desejosos de vender com aqueles que estão desejosos de comprar. Não há nada, em relação ao
mercado, que não seja humano, que seja místico. O processo de mercado resulta
exclusivamente das ações humanas. Todo fenômeno de mercado pode ser rastreado até as
escolhas específicas feitas pelos membros da sociedade de mercado.
O processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da
sociedade aos requisitos da cooperação mútua. Os preços de mercado informam aos
produtores o que produzir, como produzir e em que quantidade. O mercado é o ponto focal
para onde convergem e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.
(...)
A direção de todos os assuntos econômicos, na sociedade de mercado, é uma tarefa
dos empresários. Deles é o controle da produção. Estão no leme e pilotam o navio. Um
observador superficial pensaria que eles são os soberanos. Mas não são. São obrigados a
obedecer incondicionalmente às ordens do capitão. O capitão é o consumidor. Não são os
empresários, nem os agricultores, nem os capitalistas que determinam o que deve ser
produzido. São os consumidores. Se um empresário não obedece estritamente às ordens do
público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, sofre perdas, vai à
falência, e é assim removido de sua posição eminente no leme do navio. Um outro que melhor
satisfizer os desejos dos consumidores o substituirá.
Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo
menor preço. Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre
quem deve possuir e dirigir as fábricas e as fazendas. Enriquecem um homem pobre e
empobrecem um homem rico. Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que
deve ser produzido. São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e
imprevisíveis. Para eles, a única coisa que conta é sua própria safisfação. Não se sensibilizam
nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos. Se lhes for oferecido
algo que considerem melhor e que seja mais barato, abandonam os seus fornecedores
habituais. Na sua condição de compradores e consumidores, são frios e insensíveis, sem
consideração por outras pessoas.
(...)
A função empresarial, o empenho dos empresários por obter lucros, é a força motriz
da economia de mercado. Lucro e perda são os instrumentos por meio dos quais os
consumidores exercem sua supremacia no mercado. O comportamento dos consumidores
engendra os lucros e as perdas e, desta forma, transfere a propriedade dos meios de produção
das mãos dos menos eficientes para as mãos dos mais eficientes. Quanto melhor um homem
servir os consumidores, mais influente se tornará na direção das atividades econômicas. Se
não houvesse lucro e perda, os empresários não saberiam quais são as necessidades mais
urgentes dos consumidores. Mesmo que alguns empresários pudessem adivinhá-las, não
teriam os meios para ajustar corretamente a produção a elas.
Mises - Ação Humana
sábado, 31 de maio de 2008
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