domingo, 22 de agosto de 2010


É precisamente a possibilidade de uma escolha racional que define a liberdade; fora do espaço das justificativas válidas, encontramos apenas o capricho. Isso é também um princípio educativo: ao educar uma criança, percebemos como, antes da “idade da razão”, elas são contraditórias. Querem realizar um desejo mas não estão dispostas a suportar as consequências dele. Se não intervimos a tempo, o capricho se torna a regra; e todo o irracionalismo da vontade de poder vem à tona como um vício, um hábito confirmado por inúmeros atos arbitrários concretos. O que no início parecia liberdade irrestrita se torna escravidão, e a pessoa não consegue mais dar unidade à sua vida. Na ausência de um princípio racional, da consideração inteligente das circunstâncias e das normas de experiência, a pessoa se vê dominada por impulsos caprichosos e sem pistas de como proceder. Se um governo se torna caprichoso, temos o mesmo fenômeno escrito em letras maiúsculas: a loucura coletiva sob a forma da tirania. O governo então não mais consegue se justificar perante o tribunal da razão (ou melhor, da razoabilidade, da moderação e do manejo correto da lógica argumentativa), e por isso impõe o que ditam os seus interesses imediatos.

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