sábado, 14 de junho de 2008

Porque o Ocidente é mais avançado

É preciso que se enfatize, para evitar equívocos, que o que possibilitou a dianteira
temporal conseguida pelas nações ocidentais foram fatores ideológicos que não podem ser
reduzidos simplesmente a diferença de meio ambiente. O que denominamos de civilização
humana tem sido, até hoje, uma passagem progressiva da cooperação baseada em vínculos
hegemônicos para a cooperação baseada em obrigações contratuais. Enquanto muitas raças e
povos permaneceram nos primeiros estágios desse movimento, outros avançaram
continuamente. A proeminência das nações ocidentais consistiu no fato de terem conseguido,
mais do que o resto da humanidade, conter o militarismo predatório, e de terem, assim, criado

as instituições sociais necessárias à poupança e ao investimento em larga escala. Nem mesmo
Marx contestou o fato de que a iniciativa privada e a propriedade privada dos meios de
produção foram estágios indispensáveis ao progresso que levou o homem de sua primitiva
penúria até as condições mais satisfatórias da Europa ocidental e dos Estados Unidos do
século XIX. O que faltou às Índias Orientais, à China, ao Japão e aos países muçulmanos
foram instituições que salvaguardassem os direitos individuais. A administração arbitrária dos
paxás, dos cadis, dos rajás, dos mandarins e dos daimios não era propícia à acumulação de
capital em larga escala. As garantias legais, protegendo efetivamente o indivíduo da
expropriação e do confisco, foram as fundações sobre as quais floresceu o progresso
econômico ocidental sem precedente. Essas leis não foram fruto do acaso, de acidentes
históricos ou do meio ambiente geográfico. Foram um produto da razão.

Mises - Ação Humana

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