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domingo, 21 de dezembro de 2008

Bush será lembrado... Pelo menos no Curdistão



A esquerda Mundial faz passar a ideia, de forma bastante inteligente, de que o Iraque de Saddam Hussein era um país idílico, moderno, que transpirava democracia e onde as pessoas eram felizes. A triste realidade mostra-nos, no entanto, que as coisas eram tudo menos assim e que, apesar de tudo, a intervenção Norte-Americana no Iraque trouxe um sem número de boas novidades para as pobres almas curdas e xiitas Iraquianas (e suniitas, também).

Começando pelo início: a maioria das pessoas, influenciadas e levadas a acreditar na maioria dos disparates ditos pela esquerda estúpida, acredita que os Norte-Americanos usaram o Iraque enquanto puderam e, quando confrontados com um virar de costas de Saddam aos interesses Norte-Americanos, tentaram voltar a colocar as coisas como eram. Eu concordo a perspectiva da esquerda quando diz que os Estados Unidos agem por interesse. Porém, não utilizo o tom rancoroso que a esquerda utiliza quando se fala de qualquer acção dos Estados Unidos da América, independentemente de ser boa ou má.

Não utilizo por uma simples razão: desde os meus 6 anos que vejo que as pessoas actuam segundo os seus interesses, segundo aquilo que querem ver concretizado, segundo aquilo que querem proteger. Ora, os Estados são regidos por pessoas e para as pessoas, logo são parecidos com estas.

Existe gente que pensa, no entanto, que o ser humano não se rege por interesses, é bom por natureza e a sociedade é que o corrompe. A História mostra-nos o oposto daquilo que essa gente pensa: a colonização, as duas Guerras Mundiais, os genocídios, as diásporas, as Cruzadas, a existência de fronteiras, a Guerra Fria, as falcatruas do BPN, os apertares de mão do Sócrates ao Khadafi e ao Chávez, a vénia da União Europeia à pessoa de Vladimir Putin, o processo Casa Pia, dizem-nos que as pessoas, as instituições e os Estados só agem bem e sem interesses muito raramente, sendo que muitas dessas vezes são por mero acaso.

As pessoas pensam que os Estados Unidos da América são o único país do Mundo desumano, mau, que actua por interesses, que mata pessoas, que não é compreensivo e que tem mulheres como Sarah Palin a concorrer para a vice-Presidência. As pessoas esquecem-se que foi na Europa que na década de 90 os bons Sérvios (Europeus Ortodoxos), os Croatas (Europeus Cristãos) e os Bósnios (Europeus Muçulmanos) andaram todos à bulha; as pessoas esquecem-se que José Sócrates passa tanto tempo ao telefone com Caracas como ao telefone com Bruxelas; as pessoas esquecem-se que a China é um dos maiores parceiros económicos da UE e que utiliza mão-de-obra juvenil; as pessoas esquecem-se da ETA, do IRA e dos independentistas Corsos; as pessoas esquecem-se que, há uns bons aninhos, o velho Jean Marie Le Pen foi à segunda volta das Eleições Presidenciais Francesas contra Jacques Chirac.

O que falta às pessoas é aperceberem-se que todos os Estados são iguais, só que utilizam mecanismos diferentes para assegurar fins semelhantes. O que falta perceber ás pessoas é que do outro lado do Atlântico não estão indivíduos dilanteralmente opostos a nós mas sim indivíduos semelhantes a nós. O que falta perceber é que não vale a pena desviar as atenções daquilo que se passa internamente para os outros que estão lá fora. O que falta perceber é que os Estados Unidos da América são superiores e não vale a pena tentar fazer parecer que não.

Uma das maiores acusações que se fazem aos Estados Unidos da América é terem apoiado, em tempos, o Iraque de Saddam Hussein. Esta afirmação corresponde à verdade, mas a malta esquece-se de referir que a bela e querida União das República Socialistas Soviéticas fez exactamente o mesmo, tal como a bela Itália e a bela França (quando falo de ajuda, envolve obviamente meios militares e financeiros). Pouco relevo tem mas, durante a Guerra Irão-Iraque, o Iraque, apesar de apoiado pelos Estados Unidos, fez o favor de atacar alguns alvos Americanos.

Nesta década de 80, já o querido Iraque e o querido Irão andavam com planos para obter armamento nuclear. Em 1981, a aviação Israelita, em mais um dos seus grandes feitos militares, bombardeou, numa acção de Guerra Preventiva, o reactor Iraquiano Osirak, reactor esse feito com a ajuda de Chirac e d'Estaing (posteriormente, Miterrand também ajudou à festa). Ao que consta, Saddam encontrava-se pertíssimo da arma nuclear.

Em 2002/2003, poucos eram aqueles que desconfiavam da inexistência de armas de destruição maciça no Iraque. O jovem Barack Obama, por provavelmente não saber o que eram armas de destruição maciça nesta altura, diz que sempre foi contra a invasão. Porém, várias personalidades de todos os espectros políticos Americano e Europeu não só tinham a certeza disso como apoiavam uma intervenção militar Norte-Americana. A França, na altura com Chirac como Presidente da República, agiu como uma raposa, como se não soubesse que Saddam sempre teve e até chegou a utilizar, contra os Curdos, armas letais.

Até hoje as tais armas não foram descobertas. Mas quem tomou a decisão foi o George W., o satã, esse malvado, logo a culpa de tudo o que se está a passar é dele. O suposto Vietname que é o Iraque é culpa do Bush, única e exclusivamente, não de todos nós que em 2002 assitíamos e aplaudíamos.

Mas ultrapassemos esta fase e olhemos para o que era o paraíso idílico de Saddam Hussein, o desenvolvidíssimo Iraque, que apenas não vive hoje na mó de cima porque alguém se lembrou de lhe atirar com umas bombas para cima:

1 - Organizações não-Governamentais não podiam entrar no país ou, quando entravam, faziam-no de uma forma muito limitada;
2 - As mulheres não podiam sair do país sem o marido. Isto a juntar a outros caprichos tipicamente Islamicos, apesar da suposta existência de um Estado secular;
3 - Saddam Hussein governava para a família, depois para os amigos, depois para o Baath e depois para os Suniitas;
4 - Os xiitas sofreram na pele a ira de Saddam: a condenação que o levou à morte foi, aliás, a morte de 148 xiitas, pela retaliação de uma tentativa de assassinato à sua pessoa. Em 1991 (morreram 150000) e em 1999, outros ataques bem maiores foram levados a cabo contra as comunidades xiitas Iraquianas, matando milhares de pessoas e obrigando outras tantas a procurar abrigo;
5 - Escusado será dizer que não existia democracia no Iraque: o Baath era o único partido legal, não havia eleições e os opositores políticos eram perseguidos e assassinados;
6 - A Norte, no Curdistão, ocorreu um genocídio directamente incentivado por Saddam. Estima-se que 200000 pessoas tenham morrido só na Operação Affal de 1986-1989. Refugiados estima-se em 1 milhão e meio. Foi durante esta Operação que Ali ficou conhecido como "Ali, o Químico". Tirem as vossas ilacções;
7 - Água, electricidade e saneamento era coisa que raramente se via. Hoje em dia, aparecem notícias no jornal que nos dizem que o Iraque não tem água, electricidade e saneamento, como se tivessem sido os Norte-Americanos a destruir a obra feita;
8 - Não era possível as pessoas reunirem-se nas ruas e trocarem opiniões; não se podia receber dinheiro do estrangeiro;
9 - Raptos, execuções e tortura eram documentadas por todas as Organizações Não Governamentais durante os anos de Saddam;
10 - Amputação era a pena esperada para quem fugisse ao serviço militar.

Acho que, para se ter só uma ideia, são esclarecedores estes meros dez pontos feitos à pressão.

Uma coisa que deve fazer zum-zum nos ouvidos das pessoas é o facto de, de um momento para o outro, o nome Iraque lhes estar a entrar sucessivamente pela casa a dentro. O Iraque devia ser, para certas almas, um sítio pacífico!

Não, não era. As TV's é que não ligavam ao desrespeito dos Direitos Humanos por parte de Saddam, porque eram feitos por um tipo feio e de bigode; quando meia dúzia de rapazinhos louros e com nomes ocidentais fizeram nem 1/1000 daquilo que Saddam fez no Iraque, mal-tratando prisioneiros, noticiários foram abertos e o Regime de Saddam raras vezes foi abordado.

Os Americanos tinham entrado porque sim, porque eram maus e porque era preciso alimentar o lobby das armas. Efeitos positivos? Nenhuns! O Iraque era um santuário!

Porque raio é que morre tanta gente? Serão os Americanos a matar tudo quanto mexe ou serão os terroristas Islâmicos a perpetrar atentados terroristas contra cidadãos Iraquianos inocentes nos centros movimentados das grandes cidades? Será que os atentados existem porque os Americanos não deviam estar ali ou porque os terroristas não querem a ocidentalização do Iraque, querem denegrir a imagem dos Estados Unidos do Mundo e querem levar o Iraque de volta às origens? Será que Al-Sadr patrocina os atentados porque não gosta dos Estados Unidos da América ou porque está chateado por não estar ele a mandar?

Mas o que afinal trouxe a invasão de bom para o Iraque? Deixo-vos outros 10 pontos e retiro-me, já são três e meia da manhã e amanhã a coruja pia ás nove:

1 - Realização de Eleições, apesar de alguns atropelos. Se olharmos que a maioria do pessoal nem sabia o que era colocar a cruz num nome, até nem foi mau. Em 2005, votaram 12 milhões e meio de pessoas;
2 - Os curdos têm direito à vida! Quem diria!;
3 - Saddam foi retirado do poder e depois julgado, embora apenas por um dos de milhares crimes que cometeu;
4 - Afinal também existiam xiitas no Iraque, só que estavam escondidos ou enterrados;
5 - A ajuda não-governamental foi autorizada, como é óbvio, a entrar no país: dá-se comida à boca dos pobres (curdos incluídos), prestam-se serviços hospitalares e dá-se roupa às crianças;
6 - O investimento estrangeiro, que está a levar a China e a Índia rumo ao estrelato, foi autorizado. Diversas empresas Americanas começam a investir no Iraque, criando postos de trabalho;
7 - Hospitais foram construídos e remodelados, para além de outras infra-estruturas;
8 - As crianças, apesar de serem Curdas, podem ir à escola se assim entenderem e aprenderem a verdade;
9 - As mulheres, apesar da sociedade continuar retrógada, começam a ver reconhecidos alguns dos seus direitos;
10 - O filho do Saddam Hussein, Uday, deixou de torturar os jogadores da sua equipa de futebol e da selecção nacional Iraquiana. Como resultado disso, a Selecção Nacional tem vindo a ter bons resultados e até vai participar na Taça das Confederações.

Caso o Curdistão se torne independente, não seria uma boa ideia celebrar um feriado no dia 6 de Julho de cada ano, dia do aniversário de Bush?

http://fiel-inimigo.blogspot.com/

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