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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Psicologia feminina

Quase duzentos anos de pensamento feminista mais tarde, em 1987, a eticista e psicóloga Carol Gilligan publicou o livro In a Different Voice. Nele, Gilligan contesta uma premissa que havia sido parte fundamental dos argumentos pela igualdade de direitos entre os gêneros pelo menos desde Wollstonecraft: a de que a condição das mulheres na maior parte da história, de dedicação ao lar e aos relacionamentos íntimos, era o resultado de condições sociais que as impediam de desenvolver plenamente suas faculdade morais.

Para Gilligan, o desenvolvimento moral feminino é intrinsecamente diferente do masculino. De modo geral, o modo masculino de raciocinar sobre ética (a “ética da justiça”) se caracteriza pela percepção de indivíduos independentes, com direitos, deveres e responsabilidades individuais; e pela busca de justiça, caracterizada pela imparcialidade e concretizada por meio de normas impessoais. Orienta-se pela razão. Já o raciocínio moral feminino (a “ética do cuidado”) enfatiza relacionamentos pessoais e vê os indivíduos como interdependentes. Se orienta pelas emoções e tem mais sensibilidade ao contexto, procurando atender a necessidades de pessoas particulares ao invés de buscar imparcialidade e impessoalidade.

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